Irrigar além da necessidade das culturas pode afetar as raízes, alterar as condições do solo e gerar desperdício de recursos
10/09/2026
Quando o assunto é irrigação, é comum pensar que aumentar a quantidade de água pode ajudar a planta a crescer mais. Na prática, porém, o excesso também pode trazer problemas para a lavoura. Aplicar água além da necessidade da cultura pode reduzir a disponibilidade de oxigênio no solo, favorecer doenças e comprometer o desenvolvimento das raízes.
A quantidade adequada depende de uma combinação de fatores, como tipo de cultura, fase de desenvolvimento, características do solo, temperatura e condições climáticas. Por isso, o manejo da irrigação precisa ser baseado na necessidade da planta, e não apenas em uma programação fixa.
Segundo o engenheiro agrônomo e diretor executivo da Hydra Irrigações, primeira revenda da Netafim no Brasil, Elídio Torezani, o excesso de água pode ser tão prejudicial quanto a falta dela. “A planta precisa de água, mas também necessita de oxigênio na região das raízes. Se o solo permanecer saturado por muito tempo, esse equilíbrio será prejudicado”, explica.
Solo saturado
Quando a quantidade de água aplicada supera o que o solo consegue absorver e armazenar, os espaços que normalmente são ocupados por ar ficam preenchidos por água. Segundo Torezani, esse excesso reduz a circulação de oxigênio na região das raízes, que precisa de água e ar em equilíbrio para se desenvolver. Em situações prolongadas, o problema pode prejudicar o crescimento das plantas.
Além disso, o excesso de umidade pode favorecer o surgimento de problemas que afetam a saúde das plantas. Também é importante entender como a água se movimenta no solo depois da irrigação.
No sistema de gotejamento, é normal que exista, logo abaixo do ponto onde a água é aplicada, uma região do solo com maior concentração de água. A forma como ela se espalha pelo solo, no entanto, varia de acordo com o tipo de solo e com a quantidade de água liberada pelo gotejador.
De acordo com Torezani, gotejadores que liberam mais água de uma vez tendem a levar a água para camadas mais profundas do solo com maior velocidade, dificultando que ela se espalhe para os lados. A posição dos gotejadores em relação às plantas, portanto, precisa ser definida de acordo com as características de cada área.
“Manter ou instalar o gotejador exatamente na posição do tronco da planta pode fazer com que a região onde estão as raízes permaneça constantemente com excesso de umidade. Isso aumenta os riscos para a saúde da planta e mostra a importância de um projeto de irrigação adequado para cada tipo de solo e cultura”, explica.
Raízes prejudicadas
As raízes são diretamente afetadas quando o solo permanece encharcado por períodos prolongados. Como são responsáveis pela absorção de água e nutrientes, qualquer alteração em seu desenvolvimento pode refletir no restante da planta.
O problema pode ser ainda maior em culturas ou terrenos com características que favorecem a retenção de água. Por isso, conhecer o comportamento do solo é uma etapa importante para definir o manejo, afirma o engenheiro.
Segundo Torezani, não existe uma quantidade de água que possa ser considerada ideal para todas as propriedades ou lavouras.
“A necessidade hídrica muda de uma cultura para outra e também ao longo do ciclo da planta. O que funciona para uma determinada lavoura pode não funcionar para outra. Por isso, o manejo precisa ser individualizado”, afirma.
Perdas desnecessárias
Além dos possíveis impactos sobre a planta e o solo, o excesso de irrigação também representa desperdício de recursos.
Se a aplicação ultrapassar a necessidade da cultura, parte da água pode não ser aproveitada pelas raízes. Dependendo das condições do terreno, também pode ocorrer movimentação da água para camadas mais profundas do solo, levando nutrientes.
O desperdício não se limita à água. Sistemas de irrigação dependem de energia para funcionamento, especialmente quando há bombeamento. Assim, operar o sistema por mais tempo do que o necessário também aumenta os custos. “O objetivo da irrigação é fornecer a quantidade necessária para aquela cultura, naquele momento”, explica o especialista.
Manejo correto
De acordo com o engenheiro agrônomo, para evitar o uso desnecessário, o produtor precisa acompanhar as condições da lavoura e do solo. Informações como umidade, previsão de chuva, temperatura e fase de desenvolvimento da cultura ajudam na tomada de decisão.
O sistema de irrigação também deve estar corretamente dimensionado. Emissores com vazão inadequada, problemas de pressão ou falhas na distribuição podem fazer com que determinadas áreas recebam mais água do que outras.
Por isso, o planejamento técnico é importante durante a operação e a manutenção do sistema.
“É preciso monitorar, fazer ajustes e verificar se a água está sendo distribuída de maneira uniforme”, destaca Torezani.
Tecnologia ajuda
O avanço das tecnologias de irrigação também permite que o produtor tenha mais informações para definir quando e quanto irrigar. Sensores, sistemas de monitoramento e equipamentos automatizados podem auxiliar no acompanhamento das condições da propriedade.
Essas ferramentas não substituem a avaliação técnica, mas podem tornar as decisões mais precisas ao fornecer dados sobre a umidade do solo e o funcionamento do sistema.
Para Torezani, o uso da tecnologia deve estar associado ao conhecimento das características da propriedade. “A tecnologia ajuda o produtor a enxergar melhor o que está acontecendo no campo. Mas os dados precisam ser interpretados dentro da realidade de cada cultura e de cada área. É essa combinação que permite um manejo mais preciso”, diz.
O produtor, de acordo com Torezani, precisa buscar equilíbrio. “Irrigar bem significa entender a necessidade da cultura e entregar água no momento e na quantidade adequada. Isso contribui para a produtividade”, conclui Torezani.
Sobre a Hydra Irrigações
A Hydra Irrigações é uma das empresas detentoras da tecnologia mais avançada no segmento em nível nacional. Primeira revenda Netafim no Brasil e pioneira na aplicação de conhecimento e de técnicas para priorizar a economia de água, a empresa, com sede em Linhares (ES), tem experiência de quase três décadas de atuação e pesquisa para associar em seus projetos critérios agronômicos rigorosos a equipamentos de ponta. O objetivo é promover alta performance de todos os recursos, considerando as necessidades e especificidades de cada cliente.