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25 de setembro de 2026 - 8:20h

A Folha Agrícola

Safra menor de trigo aperta oferta e impulsiona preços no Brasil

A menor produção de trigo no Brasil começa a pressionar a oferta do cereal e já contribui para a valorização dos preços em algumas regiões produtoras. Além da redução no volume colhido, a qualidade de parte dos primeiros lotes preocupa a indústria, principalmente devido ao excesso de chuvas durante o ciclo.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de aproximadamente 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma redução de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada também recuou, em um cenário de menor rentabilidade da cultura e preocupação dos produtores com os riscos climáticos.

No Paraná e em São Paulo, onde a colheita já avançou em algumas regiões, compradores relatam maior presença de lotes classificados como tipos 2 e 3 e menor disponibilidade de trigo tipo 1, considerado mais adequado para determinados usos na indústria de moagem.

Chuvas afetam qualidade do cereal

O excesso de umidade próximo à colheita pode comprometer características importantes do trigo. Entre os indicadores acompanhados pela indústria estão o peso hectolítrico (PH), a força do glúten e o Falling Number, que ajudam a determinar a qualidade e a utilização do cereal.

Com a redução da disponibilidade de trigo de melhor padrão, os lotes que apresentam qualidade adequada para panificação passam a ser mais disputados pelos moinhos. Já os produtos com qualidade inferior podem sofrer descontos ou ser destinados a finalidades menos exigentes.

No Paraná, referências recentes indicam preços próximos de R$ 1.550 a R$ 1.600 por tonelada para trigo destinado à panificação, dependendo da qualidade, localização e condições de entrega. No Rio Grande do Sul, algumas referências ao produtor chegaram a R$ 71 por saca em setembro.

Brasil deve depender mais das importações

A redução da produção nacional também aumenta a necessidade de buscar trigo no mercado externo. A Conab estima importações de aproximadamente 7,06 milhões de toneladas para complementar o abastecimento brasileiro.

A Argentina deve continuar como uma das principais fontes de trigo para o Brasil, favorecida pela proximidade geográfica e pelas condições comerciais dentro do Mercosul.

Para os moinhos, porém, o desafio não está apenas em garantir volume suficiente. A qualidade do trigo disponível também é determinante, já que diferentes tipos de farinha exigem características específicas do cereal.

Produtor precisa ficar atento à qualidade

O cenário de menor oferta pode favorecer os preços, mas a valorização não ocorre de forma igual para todos os produtores. Lotes com bons índices de qualidade tendem a encontrar maior procura, enquanto problemas provocados por chuvas e doenças podem reduzir o valor recebido.

Com a colheita avançando, a separação e a classificação dos lotes ganham importância para preservar o valor comercial do cereal.

Para o produtor, o mercado entra em uma fase de atenção redobrada: a menor produção sustenta os preços, mas a qualidade do trigo será decisiva para determinar quanto cada lote poderá valer.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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