O mercado físico do boi gordo começou a última semana de setembro com preços firmes em São Paulo e sinais de maior disputa pela matéria-prima. Na segunda-feira (28), uma negociação pontual registrada em Mococa, no interior paulista, alcançou R$ 370 por arroba, à vista, para um frigorífico que tinha apenas um dia de escala de abate.
O negócio chama atenção por superar as referências médias observadas no estado, mas ainda não representa uma nova cotação geral para o mercado paulista. A negociação específica mostra, porém, que frigoríficos com necessidade imediata de compra estão dispostos a pagar valores mais elevados para garantir animais.
No mesmo dia, o Indicador do Boi DATAGRO em São Paulo avançou 0,35%, para R$ 360,25 por arroba. Foi a sexta alta consecutiva do indicador, reforçando o ambiente de valorização observado no mercado físico.
A oferta restrita de animais terminados está entre os principais fatores que sustentam as cotações. Com menor disponibilidade de bovinos prontos para o abate, os frigoríficos precisam administrar as compras e, quando as escalas ficam muito curtas, podem elevar as ofertas para recompor a programação.
As dificuldades são mais evidentes entre frigoríficos de pequeno e médio porte, que encontram maior resistência para completar suas escalas. Grandes indústrias, por outro lado, contam em parte com animais provenientes de contratos de parceria e de confinamentos próprios, o que proporciona maior previsibilidade no abastecimento.
Além de São Paulo, outras praças também registraram valorização. No levantamento do Indicador DATAGRO, todas as regiões acompanhadas apresentaram avanço, com destaque para a Bahia, onde a arroba subiu 2,27%, chegando a R$ 342,70.
Em São Paulo, referências de mercado divulgadas no início da semana também apontavam preços próximos de R$ 360 por arroba. O Canal Rural registrou R$ 360/@ para Araçatuba e para a praça paulista em 28 de setembro.
O cenário indica um mercado ainda bastante sensível à disponibilidade de animais e à necessidade de compra dos frigoríficos. A continuidade do movimento dependerá, principalmente, do comportamento da oferta, das escalas de abate e da capacidade da indústria de repassar eventuais aumentos para o mercado da carne.
Para o pecuarista, o registro de R$ 370/@ em Mococa representa um novo parâmetro de negociação, mas é importante diferenciar negócios pontuais das referências médias do mercado. A confirmação de novas operações nessa faixa será determinante para saber se o valor pode se tornar mais frequente nas próximas negociações.