O Brasil atingiu oficialmente 100% da cota de exportação de carne bovina destinada à China em 2026. A confirmação foi divulgada nesta terça-feira (29) pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC).
O limite estabelecido para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas dentro do regime de salvaguarda adotado pelo país asiático. Com o preenchimento da cota, os volumes que ultrapassarem o limite ficarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%.
A medida faz parte de uma salvaguarda aplicada pela China às importações de carne bovina e entrou em vigor em janeiro deste ano. O mecanismo estabelece limites específicos para os principais países fornecedores e tem previsão de duração de três anos.
Na prática, a carne brasileira comercializada dentro da cota continua sujeita à tarifa regular de importação de 12%. Para volumes que excederem o limite estabelecido, a cobrança adicional de 55% eleva significativamente a carga tributária sobre o produto.
O preenchimento da cota já vinha sendo acompanhado pelo setor pecuário brasileiro. Diante da proximidade do limite e do tempo necessário para que as cargas chegassem aos portos chineses, frigoríficos reduziram o ritmo dos embarques nos últimos meses.
A China é um dos principais destinos da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático respondeu por uma parcela significativa das exportações brasileiras do produto, o que aumenta a importância da medida para frigoríficos e para o mercado pecuário nacional.
Com a confirmação do esgotamento da cota, o governo brasileiro deve intensificar as negociações com as autoridades chinesas em busca de alternativas para ampliar o acesso ao mercado. Entre as possibilidades está a tentativa de obter uma cota adicional.
Para o setor, o novo cenário também aumenta a importância da busca por outros mercados consumidores, especialmente diante da necessidade de manter o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina.
A salvaguarda chinesa permanece prevista até 2028, enquanto uma nova cota para o Brasil deverá entrar em vigor em 2027.