As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, uma queda de 22,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram entregues 5,09 milhões de toneladas. Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
No acumulado de janeiro a julho, o volume entregue chegou a 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% em comparação com as 25,21 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
Segundo a Anda, as compras começaram o ano em ritmo considerado normal, impulsionadas também pelo bom desempenho da segunda safra de milho. A partir de maio, porém, houve desaceleração na realização de novos negócios, reflexo de um cenário de maior cautela no mercado.
Importações também recuam
A redução das entregas ocorre ao mesmo tempo em que o ritmo de entrada de fertilizantes no país diminui. As importações de fertilizantes intermediários somaram 3,54 milhões de toneladas em julho, queda de 21,4% na comparação anual.
De janeiro a julho, as importações totalizaram 21,23 milhões de toneladas, retração de 7,6% frente ao mesmo período de 2025.
A produção nacional também apresentou queda. Em julho, foram produzidas 517 mil toneladas de fertilizantes intermediários, volume 19,9% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a produção chegou a 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7%.
Nitrogenados preocupam
Entre os diferentes nutrientes, os nitrogenados chamam atenção. As importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025.
O movimento preocupa porque a segunda metade do ano costuma concentrar uma aceleração das compras de nitrogenados, especialmente para o planejamento das próximas safras e para as aplicações na cultura do milho.
Paranaguá registra queda no movimento
O Porto de Paranaguá, no Paraná, principal porta de entrada de fertilizantes no país, recebeu 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho. O volume representa uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
Mesmo com a redução, Paranaguá respondeu por 25,4% de todo o volume de fertilizantes importado pelos portos brasileiros no período.
Cenário exige atenção do produtor
Para a Anda, o Brasil entra em um período importante para a compra de insumos com uma combinação de importações mais lentas, queda nas entregas domésticas, custos elevados dos nutrientes, restrições de crédito e menor capacidade de compra dos produtores.
O cenário merece atenção porque uma redução prolongada nas compras e nas importações pode diminuir a folga dos estoques para os próximos ciclos de aplicação. Por outro lado, uma retomada das compras e a chegada das cargas já programadas podem aliviar parte da pressão sobre o mercado.
Mesmo diante desse cenário, a perspectiva de uma safra brasileira elevada mantém a demanda estrutural por fertilizantes. O comportamento das compras nos próximos meses será decisivo para definir o nível de disponibilidade dos insumos para a safra 2026/27.