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6 de outubro de 2026 - 7:44h

A Folha Agrícola

Entregas de fertilizantes recuam 22,3% em julho e acendem alerta para a próxima safra

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, uma queda de 22,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram entregues 5,09 milhões de toneladas. Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

No acumulado de janeiro a julho, o volume entregue chegou a 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% em comparação com as 25,21 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Segundo a Anda, as compras começaram o ano em ritmo considerado normal, impulsionadas também pelo bom desempenho da segunda safra de milho. A partir de maio, porém, houve desaceleração na realização de novos negócios, reflexo de um cenário de maior cautela no mercado.

Importações também recuam

A redução das entregas ocorre ao mesmo tempo em que o ritmo de entrada de fertilizantes no país diminui. As importações de fertilizantes intermediários somaram 3,54 milhões de toneladas em julho, queda de 21,4% na comparação anual.

De janeiro a julho, as importações totalizaram 21,23 milhões de toneladas, retração de 7,6% frente ao mesmo período de 2025.

A produção nacional também apresentou queda. Em julho, foram produzidas 517 mil toneladas de fertilizantes intermediários, volume 19,9% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a produção chegou a 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7%.

Nitrogenados preocupam

Entre os diferentes nutrientes, os nitrogenados chamam atenção. As importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025.

O movimento preocupa porque a segunda metade do ano costuma concentrar uma aceleração das compras de nitrogenados, especialmente para o planejamento das próximas safras e para as aplicações na cultura do milho.

Paranaguá registra queda no movimento

O Porto de Paranaguá, no Paraná, principal porta de entrada de fertilizantes no país, recebeu 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho. O volume representa uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

Mesmo com a redução, Paranaguá respondeu por 25,4% de todo o volume de fertilizantes importado pelos portos brasileiros no período.

Cenário exige atenção do produtor

Para a Anda, o Brasil entra em um período importante para a compra de insumos com uma combinação de importações mais lentas, queda nas entregas domésticas, custos elevados dos nutrientes, restrições de crédito e menor capacidade de compra dos produtores.

O cenário merece atenção porque uma redução prolongada nas compras e nas importações pode diminuir a folga dos estoques para os próximos ciclos de aplicação. Por outro lado, uma retomada das compras e a chegada das cargas já programadas podem aliviar parte da pressão sobre o mercado.

Mesmo diante desse cenário, a perspectiva de uma safra brasileira elevada mantém a demanda estrutural por fertilizantes. O comportamento das compras nos próximos meses será decisivo para definir o nível de disponibilidade dos insumos para a safra 2026/27.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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