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9 de outubro de 2026 - 6:53h

A Folha Agrícola

Maior oferta de leite aumenta pressão sobre os preços dos derivados lácteos

O avanço da produção de leite no Brasil está ampliando a disponibilidade de matéria-prima e contribuindo para pressionar os preços dos derivados lácteos. O cenário é destacado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, em seu boletim de preços divulgado em outubro.

A combinação entre o crescimento da oferta, a sazonalidade da produção e a concorrência dos produtos importados aumenta os desafios para o equilíbrio do mercado, especialmente diante de uma demanda que ainda apresenta dificuldades de recuperação.

Aumento da produção amplia a oferta

A recuperação da produção leiteira, principalmente na Região Sul, tem contribuído para elevar a captação de leite pelos laticínios. Esse movimento aumenta a disponibilidade de matéria-prima para a indústria e influencia as negociações de produtos como leite UHT, leite em pó e queijos.

Dados do mercado referentes a agosto indicaram crescimento de 3,86% no índice de captação de leite em relação a julho. No mesmo período, o preço médio líquido recebido pelo produtor ficou em R$ 2,8869 por litro, com alta mensal de 0,70%.

Apesar da valorização registrada naquele mês, o aumento da oferta e os sinais de menor sustentação nas negociações de derivados em setembro apontavam para maior pressão sobre as cotações nos meses seguintes.

Importações continuam influenciando o mercado

A entrada de produtos lácteos importados também permanece entre os fatores que limitam a sustentação dos preços internos.

Em agosto, as importações brasileiras somaram o equivalente a 230,3 milhões de litros de leite. O volume representou queda de 2,54% em relação a julho, mas permaneceu aproximadamente 40% acima do registrado no mesmo mês de 2025.

A disponibilidade de produtos nacionais e importados amplia a concorrência no mercado e pode dificultar a recuperação das cotações quando o consumo não acompanha o crescimento da oferta.

Custos de produção também preocupam

Enquanto os preços dos derivados enfrentam pressão, os custos da atividade leiteira voltaram a subir.

O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,63% em agosto, após dois meses de estabilidade. A elevação foi influenciada pelo encarecimento do milho e da soja, ingredientes importantes na composição das rações utilizadas na alimentação do rebanho.

Esse movimento exige atenção dos produtores, pois a combinação entre custos maiores e possível redução dos preços recebidos pelo leite pode comprometer as margens da atividade.

Produtor precisa acompanhar a relação entre custos e receita

O comportamento do mercado nos próximos meses dependerá da evolução da produção, do consumo interno, das importações e da capacidade de comercialização da indústria.

Para o pecuarista leiteiro, o acompanhamento dos custos por litro produzido, da produtividade do rebanho e do preço efetivamente recebido é fundamental para avaliar a rentabilidade.

Em um cenário de maior disponibilidade de leite e pressão sobre os derivados, o controle financeiro e a eficiência produtiva ganham importância para preservar as margens e orientar as decisões dentro da propriedade.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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