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31 de agosto de 2025 - 5:50h

A Folha Agrícola

Pós-desmame de leitões, uma fase desafiadora e cheia de oportunidades

O pós-desmame é reconhecidamente uma das fases mais críticas do sistema de produção de suínos, uma vez que os leitões enfrentaram várias mudanças, como separação da matriz, introdução a uma nova dieta, ambientes diferentes e outros companheiros de baia. Tudo isso impacta diretamente seu desempenho e comportamento dos animais.

Segundo a médica-veterinária Fernanda Laskoski, da Auster Nutrição Animal, nessa etapa os desafios se apresentam com intensidade, mas também há oportunidades de intervenção positiva.“Um dos principais pontos de atenção é a adaptação dos leitões aos comedouros e bebedouros”, alerta.

O ajuste à nova alimentação precisa ser rápido, mas é justamente a dificuldade de adaptação que costuma demorar esse processo. A consequência é um consumo inicial reduzido, que pode acarretar prejuízos ao desenvolvimento gastrointestinal, à imunidade e ao crescimento dos animais.

Além disso, a variação de peso entre leitões e os diferentes manejos na lactação aumentam a variabilidade do consumo após o desmame. “Leitões que não consomem ração voluntariamente nas primeiras horas após o desmame tendem a apresentar desempenho inferior, com maior risco de remoção por subdesenvolvimento ainda na fase de creche, independentemente do peso ao desmame”, explica a especialista.

Práticas simples e eficazes que podem ser adotadas para ajudar nesse processo. Estudos mostram que oferecer pequenas porções de ração próximas ao comedouro nos primeiros dias pode reduzir em até 4% o número de leitões retirados na creche. Também é comprovado que ampliar o espaço de comedouro acelera em até 8 horas o início do consumo pós-desmame.

Outro ponto destacado por Fernanda Laskoski é o manejo do ambiente. “Ambiência não é apenas temperatura ambiente. É preciso olhar para o sistema como um todo: pontos como temperatura, umidade e qualidade do ar, assim como a própria densidade de alojamento podem impactar de forma direta no desempenho bem como comprometer o bem-estar desses animais. Algumas pesquisas mostram que leitões em ambientes com baixa qualidade de ar podem ter ganho de peso diário até 11% menor e piora de 3% na conversão alimentar”, diz a médica-veterinária.

A especialista da Auster ressalta que o sucesso nessa fase depende da união de três pilares fundamentais: boas práticas de manejo, nutrição de qualidade e equilíbrio sanitário. “Muitas vezes sabemos o que precisa ser feito, mas pecamos na execução. O básico bem feito ainda é o maior diferencial nas granjas. O pós-desmame pode ser um desafio, mas com atenção nos animais, monitoramento constante e práticas bem executadas, é possível transformar essa fase crítica em uma janela de oportunidades para garantir a saúde, o desempenho e o bem-estar dos leitões”.