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“O já previsto fim do subsídio do governo chinês trouxe mais oportunidades para a fonte hidrelétrica de pequeno porte, produzida 100% no Brasil, com recursos abundantes em quase 50% das propriedades rurais do nosso país” diz CEO da ENERCONS.
Uma alteração na política fiscal da China deve provocar reflexos diretos no mercado global de energia solar, com impactos sentidos também no Brasil. A expectativa é de elevação nos preços de módulos fotovoltaicos e baterias a partir do segundo trimestre de 2026, após o anúncio do fim de um importante incentivo às exportações.
O governo chinês decidiu encerrar o reembolso do VAT (Imposto sobre Valor Agregado), benefício que vinha sendo aplicado a produtos exportados, incluindo itens da cadeia fotovoltaica.
Esse mecanismo permitia a devolução de até 9% do imposto aos fabricantes, contribuindo para tornar os equipamentos chineses mais competitivos no mercado internacional.
Com a nova diretriz, os módulos fotovoltaicos deixarão de contar com qualquer reembolso fiscal a partir de 1º de abril de 2026. No caso das baterias, a retirada do incentivo do governo chinês será feita de forma escalonada: entre abril e dezembro de 2026, o subsídio cai de 9% para 6%, sendo eliminado por completo a partir de 1º de janeiro de 2027.
Na prática, a mudança implica no fim do crédito tributário para os fabricantes chineses desses produtos, custo que tende a ser repassado aos valores de exportação. Países altamente dependentes da produção chinesa, como o Brasil, devem sentir o impacto com mais intensidade.
Atualmente, mais de 90% dos painéis, inversores, transformadores e demais equipamentos utilizados pelo setor solar brasileiro são importados da China.
Ainda antes do anúncio oficial, vários sites especializados já haviam sinalizado que os preços dos módulos fotovoltaicos deveriam registrar aumento no Brasil ao longo de 2026.
A confirmação dessa medida pelo governo chinês reforça esse cenário e consolida a expectativa de alta nos custos para o mercado nacional e internacional.
Para Ivo Pugnaloni, CEO da ENERCONS, Consultoria em Energia Renovavel, a dependência de produtos importados é um risco muito grande para os investidores. “Nessa época de guerras comerciais nunca vistas, quanto menos dependência do exterior melhor. E a desculpa de que, depender de importações é muito bom e necessário para ganhar experiência e absover tecnologia, fica no ar uma pergunta incomoda: onde está a tecnologia que deveria ter sido absorvida pelo Brasil nesses 20 anos em que os nossos governos incentivaram a energia solar?”
Ainda não temos nenhuma fábrica de painéis solares que comprovasse essa afirmação em 20 anos de incentivo sem nenhum resultado concreto a não ser , depois das 3 da tarde o ONS ter que acionar usinas termoelétricas seis vezes mais caras.Por que não dar então igualdade de isenções, juros e garantias para aquisição equipamentos da indústria nacional de turbinas e geradores hidrelétricos? O quê, exatamente, os nossos governos tem tido de queixas contra a indústria nacional de pequenas e micro hidrelétricas?”, concluiu.
A ENERCONS possui mais de 100 projetos e estudos de viabilidade de usinas de pequeno e medio porte no Brasil. E Pugnaloni é fundador e foi o primeiro presidente da associação nacional dessa setor.