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9 de fevereiro de 2026 - 19:47h

A Folha Agrícola

Crise do leite mobiliza produtores e gera manifesto Nacional

Manifesto “Leite com Dignidade” denuncia crise, importações e abandono do setor leiteiro

Por Jaime Samoel

Produtores e produtoras de leite de todo o país lançaram o Manifesto Leite com Dignidade, documento que marca a criação da União Nacional dos Produtores e Produtoras de Leite do Brasil e reúne reivindicações em defesa da produção nacional, do consumidor brasileiro e da soberania alimentar. O movimento conta com o apoio de diferentes segmentos da cadeia produtiva e de autoridades municipais, estaduais e nacionais.

No manifesto, os produtores protestam contra as importações desenfreadas de produtos lácteos do Mercosul, que, segundo o setor, apresentam indícios claros de dumping, além de falhas nas exigências de rastreabilidade, sanidade e qualidade. A entidade também demonstra preocupação com os impactos do acordo Mercosul–União Europeia, firmado em um momento de forte fragilidade do setor leiteiro brasileiro, historicamente carente de políticas públicas estruturantes em nível federal.

O documento expressa indignação diante do desmonte do setor, do aumento do endividamento das famílias produtoras e da falta de reconhecimento ao papel estratégico da atividade. Mesmo sendo o terceiro maior produtor mundial de leite, o Brasil desperdiça cerca de 35 bilhões de litros por ano, reflexo da ineficiência do Estado, segundo os produtores. Atualmente, aproximadamente 1,2 milhão de estabelecimentos produtores são afetados, sendo 935 mil da agricultura familiar, além de cerca de 4 milhões de empregos diretos vinculados à produção.

Os produtores alertam ainda para os impactos da crise sobre mais de 90% dos municípios brasileiros, especialmente pequenas cidades do chamado “Brasil profundo”, e criticam a ausência de diálogo com as principais autoridades do país. A preocupação também se estende aos consumidores, destacando o papel essencial do leite na alimentação, conforme reconhecido pela ONU/FAO, sobretudo para crianças, gestantes e idosos.

O manifesto denuncia a crescente substituição do leite por produtos análogos e compostos lácteos, o que, segundo o setor, compromete a qualidade dos alimentos e coloca em risco a segurança alimentar da população. Também são alvo de protesto indícios de formação de cartel na compra do leite cru, as altas taxas de juros, a postura de agentes financeiros e a elevada carga tributária sobre a cadeia produtiva.

Como resposta, os produtores anunciam a construção da União Nacional dos Produtores e Produtoras de Leite, baseada em princípios como independência política e sindical, transparência, organização de base, fortalecimento da agricultura familiar e defesa do consumidor. Entre os principais objetivos estão medidas urgentes no processo antidumping, solução para o endividamento dos produtores, criação do Instituto Nacional do Leite (INL), valorização da produção artesanal e regional, campanhas de consumo consciente e parcerias com o IBGE para o próximo Censo Agropecuário.

O movimento afirma que seguirá mobilizado para garantir leite com dignidade para quem produz, qualidade para quem consome e soberania alimentar para o Brasil.

CONFIRA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA:

SOBRE A UNPL
A UNIÃO NACIONAL DOS PRODUTORES DE LEITE são produtores e produtoras de leite de todas as regiões do Brasil — Sul, Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste — que vivem diariamente a dura realidade da produção leiteira brasileira. Estamos no campo, nas pequenas, médias e grandes propriedades sustentando a economia de milhares de municípios, gerando emprego, renda e produzindo um alimento essencial para a vida.

Somos agricultores familiares, cooperados e empreendedores rurais que tem o compromisso diário, faça chuva ou faça sol, com a produção de leite de qualidade e com a permanência no campo.

Nossa mobilização teve início em 2023, quando centenas de produtores reuniram em Brasília para levantar a nossa voz por ações urgentes de proteção de fato ao leite brasileiro, valorização do nosso trabalho e sobrevivência do setor. Desde então, a crise se agravou com o aumento das importações de lácteos — especialmente vindos do Mercosul — e com a ausência de respaldo e apoio.

A realidade enfrentada pela produção, marcada por preços baixos, endividamento e concorrência desleal, tornou ainda mais necessária a união forte de produtores. Diante desse cenário, produtores liderados pelo Rio Grande do Sul e por outros estados, em conjunto com representantes de todo o País, retomaram a mobilização em nível nacional, dando a origem à UNIÃO NACIONAL DOS PRODUTORES DE LEITE.

Aqui estamos como um movimento independente, democrático e sem partido pela defesa exclusivamente da produção de leite, fortalecimento da cadeia do leite e pela criação do INSTITUTO NACIONAL DO LEITE (INL), como uma forma estratégica para nos trazer soberania, segurança e garantir o futuro da atividade leiteira.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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