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10 de fevereiro de 2026 - 14:12h

A Folha Agrícola

Internacionalização de empresas brasileiras ganha escala e consolida papel estratégico de Portugal no mercado europeu

Internacionalização de empresas brasileiras ganha escala e consolida papel estratégico de Portugal no mercado europeuEspecialista analisa movimento de expansão e destaca ambiente regulatório e ecossistema de inovação no país

Lisboa / São Paulo, 09 de fevereiro de 2026 – A expansão do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, para Portugal é um dos exemplos do movimento recente de presença de empresas brasileiras de tecnologia em mercados europeus. Esse cenário tem se intensificado nos últimos anos, com Portugal se consolidando como um hub estratégico para a entrada dessas companhias na União Europeia, ao reunir estabilidade regulatória, afinidade cultural e um ambiente favorável à inovação.

Segundo o advogado Fernando Dizero Senise, sócio do escritório Brasil Salomão e especialista em estratégias de expansão internacional, esse movimento está relacionado à maturidade alcançada pelo ecossistema brasileiro de tecnologia. “O Brasil passou a desenvolver soluções robustas e escaláveis, capazes de atender mercados regulatoriamente exigentes, o que amplia de forma consistente as possibilidades de atuação no exterior”, afirma.

O advogado sinaliza que, casos recentes de soluções brasileiras que encontraram espaço no mercado europeu ajudam a ilustrar esse processo, como a expansão do Pix para Portugal. “Mais do que exportar tecnologia, trata-se de validar modelos eficientes em ambientes regulatórios rigorosos”, avalia.

Portugal como porta de entrada para a União Europeia

A escolha por Portugal como base inicial desse movimento está associada a fatores estratégicos como proximidade cultural e linguística, segurança jurídica e posição privilegiada dentro da União Europeia. A partir do país, empresas brasileiras passam a ter acesso direto a um mercado estimado em cerca de 500 milhões de consumidores.

“Portugal oferece um ambiente previsível para a estruturação de operações fora do Brasil, com redução de riscos e custos, além de funcionar como uma ponte natural para outros mercados europeus”, explica Senise. Para ele, a atuação fora do país não substitui o mercado doméstico, mas amplia as frentes de crescimento. “É um modelo multicanal, que fortalece tanto a presença no exterior quanto a operação no Brasil”, completa.

Acordo Mercosul–União Europeia pode impulsionar investimentos

Outro fator relevante para esse cenário é o acordo Mercosul-União Europeia, atualmente em fase de ratificação. O tratado prevê redução de barreiras tarifárias, maior harmonização regulatória e proteção mútua de investimentos, criando um ambiente mais previsível para negócios transnacionais.

“No setor de tecnologia, esse contexto tende a facilitar a comercialização de serviços, o licenciamento de softwares, a proteção da propriedade intelectual e a atração de investimentos cruzados”, observa Senise. Atualmente, os fluxos de capital entre Brasil e Portugal já movimentam áreas como fintechs, saúde, educação, logística e energia, tendência que deve ganhar maior intensidade com a consolidação do acordo.

Ecossistema de inovação e governança como pilares

Portugal também vem se destacando pelo fortalecimento de seu ecossistema de inovação, impulsionado pela presença de grandes eventos internacionais de tecnologia, pela atração de startups e pela atuação de fundos de venture capital e empresas globais do setor.

“Esse ambiente cria condições favoráveis para que empresas brasileiras testem produtos, captem investimentos e se integrem rapidamente às redes europeias de inovação”, afirma o advogado. Para ele, no entanto, o êxito desse movimento depende de uma estruturação consistente. “Governança corporativa, conformidade com a legislação de proteção de dados e planejamento fiscal estratégico são pilares fundamentais para uma atuação segura e sustentável”, destaca.

Expansão internacional como estratégia de longo prazo

Na avaliação do especialista, a atuação em outros mercados deixou de ser um projeto distante para se tornar uma ferramenta concreta de crescimento e fortalecimento institucional. “Empresas que se organizam e atuam com visão estratégica conseguem ampliar sua competitividade e garantir maior resiliência diante das transformações do mercado global”, afirma.

Segundo Senise, o caminho mais consistente tem sido a construção de fluxos de ida e volta entre Brasil e Europa. “Do Brasil para Portugal, estruturando uma base europeia; e de Portugal para o Brasil, aproveitando a escala e a dinâmica do mercado nacional. Esse movimento bilateral fortalece as operações em ambos os lados”, conclui.

Sobre Brasil Salomão e Matthes Advocacia

Com presença consolidada em Portugal desde 2018, o Brasil Salomão e Matthes Advocacia mantém unidades em Lisboa e no Porto, atuando como ponte estratégica para empresas brasileiras em processos de expansão para a União Europeia. A operação portuguesa integra a estratégia de crescimento internacional do escritório, com foco em segurança jurídica, governança e conformidade regulatória em operações transnacionais.

Fundado no Brasil em 1969, o escritório completou 56 anos de atuação em 1º de março de 2025 e consolidou-se como uma banca full service. Atualmente, conta com 11 unidades em funcionamento no país, localizadas em São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Campinas (SP), Franca (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Três Lagoas (MS), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), Rondonópolis (MT) e São José do Rio Preto (SP). Reúne profissionais especializados, com atuação integrada entre Brasil e Europa, voltados ao aprimoramento contínuo e à excelência no atendimento aos clientes.