Rafael Luche*
O agronegócio é um setor altamente desafiador, marcado por variáveis macro e microeconômicas que, muitas vezes, fogem ao controle das agroindústrias e dos produtores rurais. Entre os principais fatores que impactam diretamente o desempenho do setor estão o câmbio, o crédito, a taxa de juros, o clima, entre outros, cada um com suas particularidades e efeitos sobre a rentabilidade e a tomada de decisão.
O câmbio, por exemplo, está diretamente relacionado às exportações e exerce forte influência sobre os resultados do agro. Movimentos recentes de queda tornam o cenário menos favorável para a comercialização, embora mais atrativo para a compra de insumos. Trata-se de uma variável sobre a qual produtores e empresas não possuem qualquer poder de gestão.
O crédito, por sua vez, diferencia-se do câmbio por permitir algum nível de controle. Embora a política de concessão de recursos pelos bancos esteja fora do alcance dos produtores, o uso consciente do crédito, o planejamento financeiro e a gestão da capacidade de endividamento estão, sim, sob sua responsabilidade. Já a taxa de juros é outra variável macroeconômica que impacta diretamente o setor e também foge ao controle do setor, influenciando custos de produção, investimentos e decisões de longo prazo.
Por fim, e não menos importante, está o clima, fator sobre o qual definitivamente não há controle. Não é possível determinar se haverá chuvas regulares ou períodos prolongados de seca. No entanto, existem ferramentas capazes de mitigar esses riscos, como o seguro rural, sistemas de irrigação e estratégias de manejo mais eficientes.
Diante desse cenário, a pergunta central é: como mitigar tantos riscos simultaneamente? A resposta passa, necessariamente, por uma gestão mais eficiente e por uma mudança de posicionamento, ou seja, pela adoção de decisões mais estratégicas, planejadas e sustentáveis. É exatamente nesse ponto que ganha relevância a discussão sobre os desafios invisíveis, que estão relacionados às questões culturais e comportamentais no agro.
Embora ainda pouco debatido, esse tema é um dos pilares que sustentam a forma como pessoas, organizações e setores inteiros se desenvolvem ao longo do tempo. Valores, crenças, costumes e padrões de comportamento influenciam diretamente a tomada de decisão, a capacidade de adaptação às mudanças e a forma como as relações são construídas.
Esses fatores determinam o nível de abertura à inovação, a eficiência da comunicação e o engajamento diante de novos desafios. Nesse sentido, os impactos da cultura e do comportamento vão muito além do aspecto individual, refletindo-se no desempenho coletivo, na produtividade e na sustentabilidade dos resultados. Estratégias bem planejadas, tecnologias avançadas e investimentos relevantes podem perder eficácia quando não há alinhamento com o contexto cultural e comportamental. Por isso, compreender e gerenciar essas dimensões é fundamental para promover transformações consistentes e duradouras.
Essa, sem dúvida, é uma das grandes mudanças necessárias para o setor. Contudo, onde há desafios, também existem oportunidades. A FertiSystem, por exemplo, é uma indústria que há 23 anos se destaca no fornecimento de dosadores de adubo para o plantio. O segredo para se manter na vanguarda está na proximidade com os clientes, na compreensão de suas dificuldades e na busca constante por soluções que ajudem a mitigar impactos, atravessar períodos de instabilidade, reduzir custos e otimizar resultados.
Fazer mais e esperar menos
Culturalmente, muitas pessoas deixam de agir esperando que outros tomem decisões ou promovam mudanças por elas, e talvez esse seja um dos grandes problemas da atualidade. Não se trata de uma reflexão terapêutica, mas de uma análise prática: frequentemente delegamos nossas responsabilidades e expectativas a terceiros, seja a um novo cenário político, à oscilação dos preços das commodities ou a fatores externos que fogem ao nosso controle.
Nesse contexto, cabe o questionamento: se a empresa, a agroindústria ou a fazenda é nossa, por que delegamos nosso futuro e nossas esperanças aos outros? Independentemente das circunstâncias, é fundamental manter o negócio sustentável. Em alguns casos, isso pode exigir mudanças profundas e até a redefinição do modelo de atuação.
O ponto central, portanto, não está nos problemas que inevitavelmente surgirão ao longo do caminho, mas na forma como reagimos a eles. Vamos esperar que alguém faça por nós ou vamos agir de forma proativa? Afinal, a gestão do nosso negócio e do nosso futuro está em nossas próprias mãos.
*Engenheiro Agrícola e gerente de Vendas, Pós-vendas e Marketing da FertiSystem