Tecnologia desenvolvida pela agtech Agsafe amplia previsibilidade, reduz perdas milionárias e fortalece rastreabilidade nas operações agrícolas
Os prejuízos causados pela deriva de defensivos agrícolas vêm ganhando escala no Brasil e já impactam cadeias inteiras do agronegócio — da apicultura à viticultura, passando por cultivos orgânicos e até propriedades rurais vizinhas. Em um cenário de pressão crescente por eficiência e sustentabilidade, reduzir perdas operacionais deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um fator econômico estratégico.
É nesse contexto que surge a Agsafe, agtech catarinense que desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para mitigar riscos, aumentar a previsibilidade das operações e gerar rastreabilidade no campo.
A empresa já atende grandes grupos do agronegócio, indústria e grandes unidades produtivas no país — um indicativo claro de que o mercado está disposto a investir em tecnologia para reduzir perdas financeiras e evitar passivos ambientais e jurídicos.
Tecnologia para atacar um dos principais focos de prejuízo no campo
A deriva — deslocamento indesejado de defensivos para áreas fora do alvo — está no centro da proposta da Agsafe. O problema, além de gerar perdas diretas, pode desencadear conflitos entre produtores, comprometer cadeias produtivas inteiras e ampliar riscos regulatórios.
A solução da empresa utiliza inteligência artificial para monitorar variáveis ambientais e operacionais.
Na prática, o produtor conta com facilidade no planejamento prévio da operação, com indicação antecipada de riscos no entorno e rastreabilidade operacional simplificada. Com isso, o produtor também tem à disposição outras tecnologias de IA da empresa, já que a Agsafe atua na dinâmica do agronegócio brasileiro com a visão de que o produtor não precisa de um software único, mas sim de diversas ferramentas integradas aos seus desafios reais.
Além da prevenção, a tecnologia cria um histórico detalhado das operações, viabilizando auditoria e rastreabilidade — fatores cada vez mais exigidos por mercados compradores, seguradoras e órgãos reguladores.
Origem no campo e validação na prática
A Agsafe foi fundada em 2020 por Maicon Romera e Antonio Loures, no período em que ambos cursavam o MBA em Agronegócios da Esalq/USP, uma das principais referências em formação do setor no país. Romera traz trajetória construída entre política pública, mercado internacional e inovação — atuou como contratado especial do Ministério da Agricultura (MAPA) e acumulou experiência em trading companies com foco em comércio internacional e no ecossistema de startups. Loures complementa com sólida experiência em agtechs e no setor de serviços e insumos agrícolas.
O ponto de partida foi justamente o aumento de casos de deriva registrados naquele período, com impactos econômicos relevantes em diferentes cadeias produtivas. “Naquele momento, começaram a surgir relatos consistentes de prejuízos em setores como apicultura, viticultura, produção orgânica e até em propriedades com moradias isoladas. Isso evidenciou um problema sistêmico, com impacto econômico direto no campo”, afirma Romera. A partir dessa constatação, o empreendedor foi a campo para mapear os impactos reais e desenvolver uma solução alinhada à rotina do produtor.
“Quando você coloca na ponta do lápis, a deriva não é só uma questão ambiental — é prejuízo direto, conflito e perda de produtividade. Nossa tecnologia nasce para reduzir esse risco, trazer previsibilidade e dar transparência às operações”, destaca.
Eficiência, sustentabilidade e acesso a mercados
Com atuação que integra iniciativa pública e privada, a Agsafe posiciona sua tecnologia como ferramenta estratégica para atender à nova agenda do agronegócio — que combina produtividade, compliance e sustentabilidade. Além de proteger áreas sensíveis, como apiários durante a florada da soja, a solução contribui para reduzir conflitos entre diferentes sistemas produtivos e ampliar a segurança das operações.
Outro diferencial é o alinhamento com práticas globais de governança e sustentabilidade, fator que influencia diretamente o acesso a mercados e a competitividade das empresas do setor. Essa visão global não é coincidência: Maicon Romera divide sua rotina entre o Brasil e Singapura, um dos principais ecossistemas de inovação do mundo, e traz esse olhar internacional diretamente para o desenvolvimento da solução.
“O agronegócio brasileiro tem escala e complexidade únicos no mundo. Quando você conecta isso com o que está sendo construído em ecossistemas como o de Singapura, percebe que há uma oportunidade real de exportar não só commodity, mas inteligência operacional”, afirma o fundador.
Com essa trajetória, a Agsafe reforça a tendência de internacionalização das agtechs brasileiras — levando inovação aplicada a um dos maiores desafios econômicos do campo.