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15 de junho de 2026 - 15:09h

A Folha Agrícola

Preço baixo faz produtor de mandioca deixar a planta mais tempo na lavoura no Paraná

Com o preço do mandioca em queda, os produtores precisa realizar estratégias para reduzir prejuízos. No Paraná,o segundo maior produtor nacional e líder no cultivo com finalidade industrial, a solução tem sido deixar a raiz por mais tempo no campo.

A estratégia usa uma peculiaridade da mandiocultura, que é a possibilidade de deixar a planta na terra por mais de um ano, sem a necessidade expressa de colheita como ocorre em culturas anuais. “É uma situação que foi incentivada pela manutenção dos preços em patamares mais baixos”, afirma Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral).

O sistema de produção da mandioca no ciclo longo consiste em manter a lavoura no campo por 18 a 24 meses. É o método focado na produção industrial de farinha e fécula, pois costuma maximizar o acúmulo de amido e o peso das raízes. Já a produção de primeiro ciclo tema colheita realizada entre 12 e 14 meses após o plantio, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná).

De acordo com o Deral, no primeiro trimestre de 2026, os preços da mandioca pagos aos produtores recuaram 21% em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, o preço médio recebido pelos agricultores foi de R$ 552,19 por tonelada, valor 5% superior ao registrado em 2024 (R$ 525,50), mas 31% menor que a média de R$ 797,49 por tonelada registrada em 2023.

“Essa dinâmica faz com que haja uma proporção cada vez maior de áreas de segundo ciclo em relação ao total, pois essas possuem produtividades maiores e pressionam ainda mais os preços”, avaliou Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral.

A recondução das lavouras para o ciclo longo fez com que, mesmo sem aumentar o plantio em 2025, a previsão de área colhida de mandioca subisse 6% em 2026, para 148,6 mil hectares – em comparação aos 140,1 mil hectares do ano passado. Segundo o Deral, a diferença é causada porque raízes que seriam retiradas em 2025 foram deixadas no campo. Também há estimativa de alta na produção, que pode superar 4 milhões de toneladas, frente às 3,6 milhões de toneladas produzidas na safra do ano passado.

“Não há perspectiva de novos plantios, no entanto há estimativa de uma área maior para a cultura, visto que lavouras não colhidas vão se acumulando”, comenta Godinho.

Texto e foto: reprodução/Globo Rural, com edição NH Notícias