A expectativa de um evento forte de El Niño está aumentando a preocupação dos produtores de trigo no Paraná, que já reduziram a área destinada ao cereal nesta safra. A estimativa da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) é de que o Estado plante 722 mil hectares, uma redução de 12% em relação aos 820 mil hectares cultivados na temporada anterior.
Além das incertezas climáticas, os produtores enfrentam custos elevados de produção e preços pouco atrativos, fatores que têm levado muitos agricultores a diminuir o investimento na cultura.
Nos Campos Gerais, o engenheiro agrônomo Gernold Schartner, responsável pela gestão de duas fazendas nos municípios de Palmeira e Tibagi, afirma que o excesso de chuva durante a colheita representa um dos maiores riscos para a cultura.
Segundo ele, precipitações intensas nessa fase podem comprometer a qualidade dos grãos, reduzindo o valor de comercialização. As duas propriedades somam cerca de 900 hectares cultivados com culturas de inverno. Até a safra de 2024, o trigo ocupava a maior parte da área, mas neste ano a cevada passou a representar 80% do plantio, enquanto o trigo ficou com apenas 20%.
Schartner explica que a decisão foi motivada tanto pelo aumento no custo dos insumos quanto pelas previsões climáticas para a safra. A expectativa é alcançar produtividade próxima da média regional, estimada em 4.200 quilos por hectare. Na temporada passada, as condições climáticas favoreceram a produção, que chegou a 5.800 quilos por hectare, mas a queda nos preços limitou a rentabilidade, gerando apenas margem suficiente para cobrir os custos.
O cenário também preocupa os técnicos da Seab. De acordo com o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral), os custos de produção permanecem elevados enquanto os preços do trigo continuam em queda. Após recuarem cerca de 25% no ano passado, as cotações seguem em níveis ainda menores nesta safra, reduzindo o interesse dos produtores pela cultura.
Além do risco de excesso de chuvas provocado pelo El Niño, o Paraná também acompanha com atenção a possibilidade de geadas, que podem comprometer o desenvolvimento das lavouras durante o ciclo da cultura.