Tecnologia brasileira aumenta a previsibilidade das pulverizações, reduz riscos para polinizadores e fortalece a produtividade agrícola
A morte de abelhas deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se transformar em um desafio econômico da agricultura brasileira. Responsáveis pela polinização de dezenas de culturas agrícolas, os insetos movimentam um serviço ecossistêmico estimado em cerca de R$ 43 bilhões por ano no Brasil. Ainda assim, milhões de abelhas continuam morrendo anualmente, muitas vezes por falhas de comunicação entre agricultores, operadores de pulverização e apicultores — um problema que a inteligência artificial vem ajudando a resolver.
Segundo levantamento da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), aproximadamente 770 milhões de abelhas morreram em apenas quatro anos. Como muitos episódios sequer são registrados oficialmente, pesquisadores estimam que esse número possa ultrapassar 1,5 bilhão.
É justamente nesse cenário que a agtech brasileira AGSAFE desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial para tornar mais previsíveis as operações agrícolas e reduzir conflitos entre diferentes atividades desenvolvidas no campo.
Batizada de Coex.AI, a tecnologia integra informações de pulverizações agrícolas, localização de apiários, condições operacionais e comunicação entre os envolvidos, permitindo que agricultores, prestadores de serviços e apicultores tenham maior previsibilidade sobre as atividades realizadas na propriedade.
“O maior problema nem sempre é a aplicação em si, mas a falta de informação no momento certo. Quando aumentamos a previsibilidade das operações e facilitamos essa comunicação, reduzimos riscos para os polinizadores sem comprometer a eficiência da produção”, afirma Maicon Romera, CEO e cofundador da AGSAFE.
Mais do que evitar perdas na apicultura, a proteção dos polinizadores também gera impactos diretos sobre a produtividade agrícola. De acordo com o 1º Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, culturas estratégicas como soja, café, maçã, laranja e diversas frutas dependem, em maior ou menor grau, da ação das abelhas para expressar seu potencial produtivo.
Os primeiros projetos conduzidos pela empresa no Sul do Brasil reforçam esse potencial. Em áreas monitoradas pela AGSAFE, lavouras de soja localizadas próximas a apiários preservados registraram incremento de produtividade, enquanto as colmeias instaladas nessas regiões apresentaram aumento na produção de mel durante o período de florada da cultura.
Segundo Antonio Loures, COO e cofundador da AGSAFE, a solução surgiu da convivência direta com produtores, operadores de pulverização e apicultores.
“A inovação no agronegócio precisa nascer dos problemas reais do campo. Percebemos que muitos conflitos não acontecem por falta de responsabilidade dos envolvidos, mas pela ausência de informação compartilhada. A tecnologia passa a funcionar como uma ponte entre esses diferentes sistemas produtivos”.
Além da proteção dos polinizadores, a empresa destaca que a maior previsibilidade das operações contribui para ampliar a rastreabilidade das aplicações agrícolas, reduzir riscos operacionais e fortalecer a gestão das propriedades.
“O objetivo não é apenas desenvolver tecnologia, mas criar condições para que agricultura e apicultura convivam de forma cada vez mais integrada. Quando protegemos os polinizadores, preservamos um ativo fundamental para a produtividade, para a biodiversidade e para a sustentabilidade do agronegócio”, conclui Romera.
Sobre Agsafe