O mercado do boi gordo segue sustentado pela oferta restrita de animais terminados e pela dificuldade dos frigoríficos em recompor as escalas de abate. Nesse cenário, a arroba encontra espaço para novas altas e a referência de R$ 355/@ ganha força entre os negócios.
Segundo levantamento da Agrifatto, as escalas de abate estão atendendo, em média, seis dias úteis no país. O número considerado enxuto mantém os frigoríficos pressionados nas compras e fortalece o poder de negociação dos pecuaristas. (CompreRural)
Oferta restrita mantém pressão sobre os frigoríficos
A menor disponibilidade de bovinos prontos para o abate tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. Com o produtor menos disposto a antecipar as vendas, as indústrias precisam disputar lotes para garantir matéria-prima.
Esse movimento já levou a arroba a registrar negócios em patamares elevados. Em São Paulo, operações pontuais chegaram a R$ 355/@ à vista, embora o volume ainda não fosse suficiente para transformar o valor em uma referência oficial naquele momento.
O cenário também aparece em outras praças. No Paraná, por exemplo, levantamentos recentes apontaram o boi gordo na faixa de R$ 355/@, enquanto as escalas das indústrias permaneciam próximas de seis dias. (SINDICARNE)
Consultoria vê espaço para novas altas
Para a Agrifatto, a combinação entre oferta limitada e escalas relativamente curtas mantém o mercado favorável ao pecuarista. A consultoria avalia que esse ambiente ainda oferece espaço para novos reajustes da arroba no curto e no médio prazo.
Além da oferta, o comportamento das exportações e a evolução da demanda por carne bovina serão determinantes para definir a intensidade desse movimento.
O mercado, portanto, entra em uma fase de atenção para os próximos negócios. Caso a disponibilidade de animais continue limitada e os frigoríficos permaneçam com dificuldade para alongar suas escalas, a pressão compradora pode continuar dando sustentação aos preços.
Cenário exige atenção do produtor
Apesar do ambiente positivo, o mercado ainda depende da evolução das vendas de carne e do ritmo das exportações. Por isso, a referência de R$ 355/@ não significa que todos os negócios ocorram nesse valor, já que os preços variam conforme praça, qualidade dos animais, condições de pagamento e perfil do lote.
Os indicadores mais recentes da Scot Consultoria mostram, inclusive, diferenças importantes entre as regiões pecuárias. Em 11 de agosto, o indicador apontava R$ 348,69/@ em Barretos e Araçatuba, enquanto o Paraná Noroeste aparecia em R$ 358,89/@. (scotconsultoria.com.br)
O cenário reforça a importância de acompanhar diariamente as referências regionais antes de definir o momento da venda. Com oferta restrita e frigoríficos buscando recompor as escalas, o pecuarista permanece em uma posição mais favorável nas negociações.