🌾🌧️ Novo ciclo deve ser normal, mas El Niño pode afetar produtividade e qualidade dos grãos
A preparação para a safra 2026/2027 de arroz já movimenta produtores e indústrias de Santa Catarina. O cenário inicial é considerado positivo, mas as condições climáticas previstas para os próximos meses exigem atenção redobrada ao manejo das lavouras, especialmente em relação à água, à ocorrência de doenças e à formação dos grãos.
O Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) acompanha o início do novo ciclo e avalia que a produção tende a apresentar um desempenho satisfatório, embora não deva repetir os resultados excepcionais registrados na safra 2025/2026.
Segundo o presidente da entidade, Walmir Rampinelli, a expectativa é de uma safra dentro da normalidade, com possibilidade de redução de aproximadamente 10% na produtividade em relação ao ciclo anterior. O resultado final, porém, dependerá do comportamento do clima durante o desenvolvimento das lavouras.
“Não tem como afirmar, neste momento, se a safra será boa ou ruim, mas acredito que será uma boa safra. Não deve ser como ocorreu em 2025/2026, que foi extraordinária. A expectativa é de uma safra normal, a menos que ocorram eventos como enchente, vento ou granizo. Ainda há muita incerteza sobre como o El Niño vai se comportar”, afirma Rampinelli.
Clima é principal ponto de atenção
A influência do El Niño está entre os principais fatores de preocupação para o novo ciclo. A previsão de maior frequência de chuvas pode interferir no manejo das áreas de arroz irrigado e aumentar as condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças.
De acordo com Rampinelli, o período de floração merece atenção especial. Chuvas e baixa luminosidade nessa fase podem prejudicar a polinização e comprometer a formação dos grãos, reduzindo o rendimento das lavouras.
“O El Niño, se atingir bem na época da floração, pode reduzir ainda mais a produtividade. Agora, os produtores precisam cuidar do manejo da água, controlar para não vir arroz vermelho, ervas daninhas e fungos, como a brusone”, explica.
O excesso de umidade também pode favorecer doenças fúngicas, enquanto períodos prolongados de chuva podem dificultar operações de manejo e aumentar os riscos de perdas na produção.
Além do impacto no campo, a qualidade do arroz produzido também é uma preocupação para as indústrias. A condição dos grãos recebidos influencia diretamente o processo de beneficiamento e a classificação do produto.
Epagri orienta medidas preventivas
As projeções meteorológicas para Santa Catarina indicam que, em anos de El Niño, a primavera tende a apresentar chuvas mais frequentes e volumes acima da média em grande parte do estado.
Diante desse cenário, a Epagri/Ciram recomenda medidas preventivas para reduzir os riscos nas propriedades produtoras de arroz. Entre as ações estão a limpeza das estruturas de escoamento, o reforço das taipas das áreas irrigadas, a manutenção dos canais de drenagem e o monitoramento mais frequente de pragas e doenças.
A adoção antecipada dessas medidas pode ajudar os produtores a enfrentar períodos de chuva mais intensa e reduzir problemas relacionados ao excesso de água e à sanidade das lavouras.
Mercado do arroz mostra recuperação
Enquanto o clima gera incertezas para a produção, o mercado apresenta um cenário mais favorável aos produtores. Segundo o SindArroz-SC, o preço da saca, que durante a crise da safra 2025/2026 chegou a ficar entre R$ 48 e R$ 50, atualmente alcança cerca de R$ 70.
Para Rampinelli, uma eventual redução da produção provocada pelas condições climáticas poderá contribuir para novas altas nos preços, dependendo do comportamento da oferta e da demanda ao longo do ciclo.
Assim, a safra 2026/2027 começa com perspectivas positivas para a cadeia do arroz em Santa Catarina, mas também com a necessidade de planejamento e acompanhamento constante das condições climáticas. Para produtores e indústrias, o comportamento do El Niño ao longo dos próximos meses será determinante para definir o potencial produtivo e a qualidade da nova safra.