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19 de agosto de 2026 - 17:58h

A Folha Agrícola

Capacidade de armazenamento ganha espaço como estratégia para reduzir o risco comercial da beterraba

Manter produção em câmara fria pode ampliar o poder de negociação do produtor e reduzir perdas invisíveis no campo

O desempenho de uma cultivar de beterraba deixou de ser avaliado apenas pela produtividade, sanidade e aparência das raízes. Em um mercado sujeito à forte oscilação de preços, cresce a importância de materiais capazes de manter a qualidade por longos períodos após a colheita e ampliar a liberdade de comercialização do produtor. 

A volatilidade dos preços faz com que o retorno financeiro dependa cada vez menos apenas do volume produzido e mais da capacidade de decidir quando vender. Em um cenário de oferta elevada, comercializar imediatamente após a colheita nem sempre representa o melhor resultado econômico.  

“O produtor sempre buscou produzir mais. Agora, ele também precisa produzir com liberdade para comercializar. Quando a raiz mantém sua qualidade por vários meses, deixa de existir a obrigação de vender rapidamente. Isso muda completamente a estratégia de comercialização”, afirma o especialista em bulbos e raízes, Samuel Sant’Anna. 

Segundo ele, a conservação pós-colheita passou a ser um importante mecanismo de gestão de risco. “Não se trata apenas de armazenar a beterraba. Trata-se de ganhar tempo para acompanhar o mercado e escolher o momento mais favorável para negociar. Quem consegue esperar, normalmente amplia suas oportunidades de venda”, explica. 

Nesse contexto, raízes uniformes, com bom acabamento e padrão comercial elevado tornam-se decisivas para reduzir descartes e ampliar o percentual da produção efetivamente vendida. 

Esse movimento também reflete uma mudança na dinâmica da cadeia produtiva. Além das necessidades do produtor, atacadistas, supermercados e sacolões valorizam lotes homogêneos, boa apresentação e maior durabilidade, atributos que contribuem para reduzir perdas ao longo da distribuição e facilitar a comercialização até o consumidor final. 

De acordo com o especialista, a beterraba Triton F1 reúne elevada uniformidade comercial, coloração roxa intensa, boa sanidade e adaptação a diferentes regiões do Brasil, com ciclo entre 80 e 90 dias. Porém, seu principal diferencial está no potencial de armazenamento. “Quando mantida em câmara fria, pode permanecer entre quatro e seis meses preservando firmeza, coloração e qualidade comercial, oferecendo ao produtor maior flexibilidade para definir o momento da venda”, conclui Samuel Sant’Anna. 

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