A demanda brasileira por fertilizantes deve registrar uma queda significativa em 2026, refletindo principalmente a redução das importações, a menor produção nacional e o ritmo mais lento de compras por parte dos produtores rurais.
A estimativa foi apresentada pela Agroconsult durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes. A consultoria projeta que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro fiquem em aproximadamente 45,3 milhões de toneladas neste ano, abaixo das cerca de 49 milhões de toneladas registradas em 2025. Em um cenário ainda mais pressionado, o volume poderia recuar para perto de 44 milhões de toneladas.
O movimento ocorre em um momento de forte pressão sobre os custos dos insumos agrícolas. Os preços internacionais dos fertilizantes permanecem elevados, enquanto questões geopolíticas e dificuldades logísticas continuam afetando o abastecimento global.
As importações brasileiras também apresentam retração. Entre janeiro e julho, o país adquiriu cerca de 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes no exterior, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Mesmo com a redução do volume, os gastos com as compras externas aumentaram, pressionados pelos preços mais altos.
Outro fator de preocupação é a produção nacional. Dados do setor indicam redução da fabricação de fertilizantes no país, aumentando a dependência brasileira do mercado internacional justamente em um período de maior instabilidade na oferta.
Para o produtor rural, o cenário exige atenção redobrada no planejamento da próxima safra. Além do preço do fertilizante, a disponibilidade dos produtos e os prazos de entrega passam a ter peso maior na formação dos custos de produção.
A situação também pode afetar a utilização de nutrientes nas lavouras. Com margens mais apertadas e insumos mais caros, parte dos produtores pode postergar compras ou reduzir a aplicação, especialmente em culturas e regiões onde a relação entre o preço dos fertilizantes e o retorno esperado está menos favorável.
O segundo semestre tende a ser decisivo para o mercado, principalmente com a aproximação do plantio da soja e a formação da demanda para o milho. A evolução dos preços internacionais, do câmbio, da oferta global e das condições financeiras dos produtores será determinante para definir o comportamento das compras nos próximos meses.