A forte demanda dos Estados Unidos por carne bovina começa a alterar o fluxo internacional do produto e pode abrir espaço para o Brasil no mercado chinês. Segundo uma avaliação do USDA, os preços praticados pelos compradores norte-americanos já tornam o mercado dos EUA mais atrativo para exportadores argentinos que tradicionalmente direcionariam parte da produção para a China.
A Argentina possui uma cota tradicional de 20 mil toneladas para exportações aos Estados Unidos e, em 2026, recebeu autorização adicional para enviar até 80 mil toneladas de aparas magras de carne bovina. Com isso, o potencial dentro das cotas chegou a aproximadamente 100 mil toneladas.
A ampliação da oferta foi adotada pelos Estados Unidos para aumentar a disponibilidade de matéria-prima utilizada principalmente na produção de carne moída e ajudar a conter os preços ao consumidor.
O ritmo de utilização da cota também chama atenção. Conforme a avaliação do USDA, após a utilização parcial do primeiro lote, as parcelas seguintes foram rapidamente preenchidas, indicando uma forte procura. A expectativa é de que o próximo volume, previsto para ser aberto em outubro, também tenha elevada demanda.
Estados Unidos passam a disputar carne com a China
A China continua sendo o principal destino da carne bovina argentina, mas os preços mais elevados nos Estados Unidos, aliados à menor distância e aos custos logísticos mais baixos, podem fazer com que parte dos embarques argentinos seja redirecionada para o mercado norte-americano.
A Argentina deverá exportar perto de 800 mil toneladas de carne bovina equivalente carcaça em 2027, segundo a projeção citada na avaliação do USDA.
O movimento ocorre em um cenário de menor disponibilidade de bovinos nos Estados Unidos e de aumento da necessidade de importações. Com isso, os norte-americanos passam a disputar de forma mais intensa a carne disponível no mercado internacional.
Cenário pode beneficiar a carne brasileira
Para o Brasil, a movimentação apresenta efeitos distintos. No mercado norte-americano, a Argentina ganha força como concorrente, principalmente no fornecimento de carne magra utilizada pela indústria de hambúrgueres.
Por outro lado, caso parte da carne argentina que seria destinada à China seja direcionada aos Estados Unidos, os compradores chineses poderão precisar buscar volumes adicionais em outros fornecedores.
Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países com potencial para ampliar sua participação, especialmente por ser o maior exportador mundial de carne bovina e um dos principais fornecedores do mercado chinês.
O aproveitamento dessa oportunidade, no entanto, dependerá de fatores como preços, regras comerciais, disponibilidade de animais e a concorrência de outros grandes exportadores, incluindo Austrália e Uruguai.
A mudança mostra que a maior necessidade de carne dos Estados Unidos já começa a provocar efeitos nos fluxos globais do produto, aumentando a disputa entre grandes mercados e podendo alterar a distribuição dos embarques entre Argentina, Brasil, China e Estados Unidos.