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22 de setembro de 2026 - 16:49h

A Folha Agrícola

Da ESALQ ao Vale do Silício asiático: startup brasileira transforma compliance agrícola com inteligência artificial

Desenvolvida pela AGSAFE, plataforma de inteligência territorial previne a deriva de defensivos, protege cultivos sensíveis e fortalece a coexistência entre soja e apicultura

Florianópolis (SC) — Em um agronegócio cada vez mais pressionado por exigências de rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória, uma startup criada por dois egressos da ESALQ/USP aposta na inteligência artificial para inverter a lógica do compliance: em vez de aumentar a burocracia no campo, fazer com que ela praticamente desapareça.

Fundada em 2020, a AGSAFE desenvolve soluções que transformam atividades rotineiras da operação agrícola em dados estruturados para gestão, auditoria e rastreabilidade. Hoje, a empresa atende grandes grupos nacionais e multinacionais e mantém uma operação dividida entre Florianópolis, um dos principais polos brasileiros de tecnologia, e o AGSAFE AI Labs, em Singapura, dedicado ao desenvolvimento de novas aplicações de inteligência artificial.

“Nosso objetivo não é criar mais uma plataforma para o produtor alimentar. Queremos que a inteligência artificial organize informações automaticamente e faça do compliance uma consequência natural da operação”, afirma o cofundador Maicon Romera.

Tecnologia construída a partir da realidade do campo

A AGSAFE nasceu da união de trajetórias complementares. Romera e Antonio Loures se conheceram durante a formação na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), onde começaram a discutir como problemas cotidianos da agricultura poderiam ser resolvidos por tecnologia aplicada.

Essa origem prática continua orientando o desenvolvimento da empresa.

Entre as soluções já disponíveis está o Comunic.AI, que utiliza inteligência artificial para simplificar o registro de treinamentos, procedimentos e comunicações realizadas pelas equipes de campo. Em vez de preencher diversos formulários, o colaborador interage naturalmente com a ferramenta, enquanto a IA interpreta, organiza e transforma aquela atividade em informação pronta para gestão e comprovação.

“Quanto menos barreiras existirem entre a operação e o compliance, maior será a adoção da tecnologia”, explica Romera.

A segunda plataforma é o Coex.AI, voltado à rastreabilidade das operações agrícolas e à gestão da coexistência entre diferentes cultivos, tecnologias e sistemas produtivos dentro de uma mesma propriedade.

“O Coex nasceu da necessidade de conectar rastreabilidade e realidade operacional. Cada implantação gera aprendizado para que a tecnologia continue evoluindo junto com o campo”, afirma Antonio Loures, responsável pelas áreas técnica, comercial e operacional da empresa.

Compliance deixa de ser custo e vira acesso a mercado

O avanço de regulamentações internacionais tornou a rastreabilidade um requisito estratégico para o agronegócio brasileiro. Entre elas está o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que passa a exigir comprovação de origem para diversas commodities exportadas ao bloco europeu.

Na avaliação dos fundadores, esse movimento muda completamente o papel da tecnologia.

“Produtores, indústrias e exportadores precisam demonstrar cada vez mais o que acontece dentro da operação. Nossa missão é fazer com que essa comprovação aconteça de forma simples, sem retirar tempo de quem produz”, diz Romera.

O mercado também acompanha essa transformação. O Brasil reúne hoje mais de duas mil agtechs mapeadas pelo Radar Agtech Brasil e consolidou-se como o maior ecossistema de inovação agrícola da América Latina, impulsionado pelo crescimento de soluções baseadas em dados e inteligência artificial.

Uma infraestrutura de IA para o agro

Além das plataformas já comercializadas, a AGSAFE desenvolve novas tecnologias envolvendo automação, análise de dados e aplicações com drones. Entre os projetos está uma solução gratuita destinada a conectar produtores, indústria e poder público por meio de uma infraestrutura digital voltada às boas práticas e ao compliance agrícola.

“O mais interessante é perceber que estamos saindo de soluções específicas para uma visão integrada. Comunicação, segurança, rastreabilidade e compliance não deveriam funcionar como processos separados. A inteligência artificial permite conectar tudo isso”, afirma Loures.

Da ESALQ para uma operação global

A conexão entre os fundadores começou nos corredores da ESALQ, uma das mais reconhecidas instituições de ciências agrárias do mundo e sede do Cepea, responsável pelos estudos que calculam o PIB do agronegócio brasileiro.

Durante a pós-graduação, Romera aprofundou o tema sob orientação do professor Décio Gazzoni, pesquisando o papel das startups e das biotecnologias na eficiência dos defensivos agrícolas e nas boas práticas de produção. A combinação entre base científica e experiência prática tornou-se o DNA da empresa.

Hoje, enquanto Loures lidera as operações técnicas no Brasil, Romera atua na estratégia e na expansão internacional da AGSAFE, aproximando a empresa de ecossistemas globais de inovação a partir de Singapura.

“Os problemas nascem no campo brasileiro, mas as soluções podem ter alcance global. Essa conexão entre ciência, operação e inteligência artificial é o que buscamos construir”, conclui Romera.

Sobre a AGSAFE

Fundada em 2020, a AGSAFE é uma startup brasileira de tecnologia para o agronegócio com sede em Florianópolis (SC). Criada pelos egressos da ESALQ/USP Maicon Romera e Antonio Loures, desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para simplificar compliance, rastreabilidade, segurança operacional e boas práticas agrícolas. A empresa atende grandes grupos nacionais e multinacionais e mantém, em Singapura, o AGSAFE AI Labs, dedicado ao desenvolvimento de novas tecnologias em IA.

https://www.linkedin.com/company/agsafeapp