O mercado do boi gordo segue firme em setembro, com negócios pontuais chegando a R$ 360 por arroba em São Paulo. A oferta mais ajustada de animais terminados e a dificuldade de alguns frigoríficos para completar as escalas continuam dando sustentação às cotações.
Na terça-feira (22), diferentes levantamentos apontaram novas altas no mercado físico. Pela Datagro, o indicador paulista avançou 0,29%, para R$ 355,94 por arroba, enquanto a Safras & Mercado registrou média de R$ 356,33 em São Paulo. Em Mato Grosso do Sul, a referência chegou a R$ 353,81 pela Datagro.
Oferta limitada sustenta a arroba
A menor disponibilidade de animais prontos para abate tem aumentado a disputa entre os frigoríficos. Em São Paulo, embora boa parte dos negócios esteja entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, lotes específicos já alcançaram R$ 360.
O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a segunda-feira (21) em R$ 354,65 por arroba, acumulando valorização de 2,98% em setembro até aquele momento.
A postura dos pecuaristas também influencia o mercado. Muitos produtores têm demonstrado resistência a ofertas consideradas baixas, especialmente em regiões onde a disponibilidade de animais terminados está menor.
Ao mesmo tempo, frigoríficos de pequeno e médio porte enfrentam maior dificuldade para formar escalas, enquanto algumas grandes empresas contam com animais provenientes de parcerias ou confinamentos próprios.
Mercado futuro coloca R$ 400 no radar
A valorização no mercado físico também repercute nos contratos futuros. Segundo dados citados pela Agrifatto, o contrato para dezembro chegou a superar R$ 390 por arroba na segunda-feira (21). Na sessão seguinte, porém, recuou 0,39%, encerrando a R$ 388.
Com isso, a arroba de R$ 400 passou a aparecer nas projeções do mercado futuro, embora esse valor ainda não represente uma cotação praticada de forma generalizada no mercado físico.
Demanda ainda é ponto de atenção
Apesar da firmeza da arroba, o consumo interno continua sendo um fator de atenção para a indústria. A dificuldade de repassar novas altas da matéria-prima para a carne bovina pode limitar o ritmo de valorização.
As exportações também apresentam um ritmo mais moderado em setembro. Nos primeiros 13 dias úteis do mês, os embarques de carne bovina in natura ficaram cerca de 30% abaixo da média diária registrada em setembro de 2025, segundo dados citados pelo Cepea.
Para o pecuarista, o cenário mostra um mercado sustentado pela oferta mais limitada, mas que ainda depende do comportamento da demanda interna e externa. Nos próximos dias, a disponibilidade de animais e a necessidade de compra dos frigoríficos serão importantes para definir se a arroba continuará avançando.