A indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas registrou forte retração nas vendas ao longo dos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, a receita líquida do setor somou R$ 36,30 bilhões, queda de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Somente em agosto, a receita do segmento alcançou R$ 4,79 bilhões, resultado 22,8% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Na comparação com julho, houve queda de 1,7%.
Mercado interno concentra a retração
O desempenho das vendas dentro do Brasil foi ainda mais negativo. De janeiro a agosto, a receita destinada ao mercado interno caiu 25,7%, chegando a R$ 30,37 bilhões.
Em agosto, as vendas internas movimentaram R$ 4,10 bilhões, recuo de 24,9% na comparação anual e de 1,1% em relação a julho.
Segundo análises divulgadas a partir dos dados da Abimaq, entre os fatores que pressionam o mercado estão o endividamento dos produtores rurais, o custo elevado do financiamento e os efeitos do câmbio sobre os preços das commodities.
Tratores também apresentam queda
Em agosto, foram comercializados 3.324 tratores diretamente para usuários finais. O número representa alta de 19,1% em relação a julho, mas queda de 25,5% na comparação com agosto de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, as vendas de tratores ao usuário final recuaram 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Colheitadeiras têm retração ainda maior
O cenário foi mais severo entre as colheitadeiras. Em agosto, foram vendidas 112 unidades ao usuário final, número 13,6% menor que o registrado em julho e 43,1% abaixo de agosto de 2025.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, a comercialização de colheitadeiras caiu 39,6% na comparação com o mesmo período de 2025.
Exportações ajudam a reduzir impacto
Apesar da queda nas vendas internas, as exportações apresentaram desempenho positivo no acumulado do ano.
Entre janeiro e agosto, as exportações de máquinas e equipamentos agrícolas somaram US$ 1,15 bilhão, crescimento de 12,7% em relação aos oito primeiros meses de 2025.
As importações, por outro lado, chegaram a US$ 810,9 milhões no período, queda de 4% na comparação anual.
O desempenho mostra que o mercado brasileiro de máquinas agrícolas atravessa um período de menor demanda, especialmente entre os produtores que dependem de crédito para renovar ou ampliar o parque de máquinas.
Para o produtor rural, o cenário pode representar maior cautela na realização de investimentos e na renovação de tratores e colheitadeiras, especialmente diante dos custos financeiros e das condições de rentabilidade da atividade.