O aumento do preço do diesel voltou a pressionar os custos do agronegócio brasileiro justamente no período de preparação e implantação da safra de verão. Em setembro, o diesel S-10 acumulou alta de 6,5% nos postos do país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na semana de 20 a 26 de setembro, o preço médio nacional chegou a R$ 7,33 por litro. Na semana anterior, a média era de R$ 7,13, enquanto no fim de agosto e início de setembro estava em R$ 6,88.
Mercado internacional aumenta pressão
A alta brasileira ocorre em meio a um cenário de maior pressão no mercado internacional de combustíveis. No Reino Unido, o diesel atingiu em 28 de setembro a média de 199,18 pence por litro, superando o recorde anterior registrado em 2022.
O movimento está relacionado à elevação das cotações internacionais do petróleo e a restrições na oferta global de diesel. No mercado norte-americano, o combustível também atingiu níveis recordes em setembro.
Produtor rural sente o impacto
No campo, o diesel é utilizado em praticamente todas as etapas da produção agrícola. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores e caminhões dependem do combustível, assim como boa parte do transporte de sementes, fertilizantes e da produção colhida.
Com isso, uma alta no diesel pode elevar o custo de implantação e condução das lavouras, além de aumentar as despesas com frete.
O impacto também pode ser maior em regiões mais distantes dos centros de distribuição, onde os custos logísticos têm peso significativo na formação dos preços dos insumos e no transporte da produção.
Brasil depende de importações
A situação internacional tem impacto direto no mercado brasileiro porque o país depende de combustível importado para complementar o consumo interno. Estimativas do setor apontam que aproximadamente um quarto do diesel consumido no Brasil vem do exterior.
Em setembro, a diferença entre os preços internacionais e os valores praticados no mercado brasileiro chegou a gerar preocupação entre importadores sobre possíveis restrições pontuais de oferta. O período também coincide com o aumento sazonal da demanda provocado pelo plantio da safra de verão.
Pressão sobre os custos da safra
A elevação do combustível adiciona mais um componente à conta do produtor em um momento de planejamento das operações agrícolas.
Além do consumo direto nas máquinas, o diesel influencia o preço dos serviços terceirizados e do transporte de insumos e grãos. Por isso, mesmo produtores que não compram grandes volumes diretamente podem sentir o impacto por meio de outros custos da cadeia.
O cenário internacional, portanto, passa a ser acompanhado de perto pelo setor, especialmente durante os meses de maior movimentação no campo.
Para o produtor, o comportamento do diesel será mais um fator a considerar na formação dos custos e na margem da safra 2026/27.