Por Arthur Freitas Rasmussen
Estamos chegando à reta final de uma eleição em que, independentemente do resultado das urnas, as expectativas já influenciam decisões econômicas. Quem atua diariamente na área comercial percebe um comportamento bastante característico desses períodos: diante da incerteza, parte dos investidores prefere observar um pouco mais antes de tomar decisões relevantes sobre alocação de patrimônio.
No mercado imobiliário da Costa Esmeralda e do litoral norte catarinense, entretanto, essa cautela eleitoral convive com uma realidade muito particular.
Itapema, Balneário Camboriú, Porto Belo, Bombinhas e outras cidades desse eixo continuam atraindo compradores e investidores de diferentes regiões do Brasil.
Essa percepção não vem apenas dos indicadores. Ela nasce principalmente do contato diário com quem efetivamente continua comprando, vendendo e investindo.
Em nossas viagens e atendimentos comerciais, especialmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, continuamos encontrando interesse consistente pelo litoral catarinense.
E, mais recentemente, temos percebido também um olhar cada vez mais relevante por parte de prospects de São Paulo sobre a nossa região.
Ou seja: o interesse não desapareceu. Em alguns casos, o que mudou foi o timing da decisão.
Um mercado que já atravessou muitos ciclos
Atuo há aproximadamente 15 anos no mercado imobiliário da região. Durante esse período, já atravessamos diferentes eleições presidenciais, mudanças de governo, períodos de crescimento e de retração econômica e ciclos de alta e de queda dos juros.
Essa experiência deixa uma lição importante: o mercado imobiliário do litoral catarinense tem demonstrado extraordinária capacidade de resiliência.
A política e a economia interferem nas expectativas. Os juros influenciam o custo do dinheiro e a decisão sobre onde alocar recursos. A disponibilidade de crédito interfere na velocidade dos negócios.
Mas os fundamentos que fizeram nossa região crescer não desaparecem a cada eleição.
Foi assim nos ciclos anteriores, e estamos observando isso novamente agora.
Mesmo diante de juros ainda elevados e das incertezas naturais de um período eleitoral, continuamos recebendo investidores, realizando negócios e encontrando compradores interessados em imóveis na região.
Santa Catarina e o cenário nacional
No âmbito estadual, as pesquisas divulgadas nesta reta final apontam ampla liderança do atual governador de Santa Catarina, o que pode ser interpretado pelo mercado como uma perspectiva maior de continuidade administrativa.
No cenário nacional, a realidade é diferente. Os levantamentos mais recentes mostram uma eleição presidencial bastante competitiva. Diferentes institutos apresentam variações nos percentuais e cenários de segundo turno muito próximos.
Mais importante para o mercado do que tentar antecipar quem vencerá é perceber como essa indefinição afeta as expectativas.
Investidores acompanham as pesquisas, a composição do Congresso Nacional e do Senado, além das perspectivas para a política fiscal, a inflação, os juros e as possíveis diretrizes econômicas do próximo governo.
Por isso, é natural que algumas decisões sejam postergadas até que exista maior clareza.
Depois da eleição, a incerteza dá lugar aos fatos
Independentemente da preferência política de cada brasileiro, existe um conjunto de fatores objetivos especialmente relevante para o mercado imobiliário: responsabilidade fiscal, inflação controlada, segurança jurídica, disponibilidade de crédito, confiança e uma trajetória sustentável dos juros.
A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano. Embora o Banco Central já tenha iniciado um processo de redução, a autoridade monetária continua destacando a necessidade de cautela diante das expectativas de inflação e das incertezas econômicas.
Para o mercado imobiliário, a evolução dos juros será particularmente importante.
E não estamos falando apenas de financiamento habitacional.
Juros elevados tornam os investimentos financeiros conservadores muito competitivos e influenciam diretamente a decisão de alocação patrimonial de empresários, famílias e investidores.
À medida que os juros puderem recuar de forma sustentável, respeitadas as condições fiscais e inflacionárias necessárias para isso, a economia real e os ativos imobiliários tendem a disputar uma parcela maior desse capital.
É justamente nesse ponto que acredito que nossa região estará muito bem posicionada.
O litoral catarinense chega forte ao próximo ciclo
A Costa Esmeralda e o litoral norte catarinense não dependem exclusivamente de Brasília para continuar crescendo.
Temos fundamentos próprios.
Itapema e Balneário Camboriú estão entre os mercados imobiliários mais valorizados do país, e o litoral catarinense consolidou uma combinação difícil de reproduzir: qualidade de vida, segurança, praias, infraestrutura, gastronomia, serviços, proximidade de aeroportos e de grandes centros e uma oferta crescente de empreendimentos de alto padrão.
O Índice FipeZAP acompanha Itapema e Balneário Camboriú entre os principais mercados residenciais monitorados no Brasil, refletindo a dimensão que essas cidades alcançaram no cenário imobiliário nacional.
Na AG Santé e na Rosecon acompanhamos essa transformação diretamente.
Temos empreendimentos em diferentes estágios, como o Memorare e o Quissisana, da Rosecon, o Petit Jardin, da AG Santé, além do Sarayu Home, na Praia do Estaleiro, ainda em fase de registro da incorporação imobiliária.
São produtos diferentes, para públicos diferentes, mas todos refletem uma convicção construída ao longo dos últimos anos: há uma demanda cada vez mais qualificada por imóveis que entreguem localização, arquitetura, qualidade construtiva e experiência.
O investidor está olhando para o dia seguinte
Minha percepção, depois de aproximadamente 15 anos acompanhando esse mercado, é que hoje há uma parcela de investidores aguardando o encerramento do processo eleitoral para compreender melhor o cenário que teremos pela frente.
Isso não significa que os negócios pararam. Muito pelo contrário.
A demanda do Sul e do Centro-Oeste permanece e começamos a perceber a presença cada vez maior de investidores de outras regiões. Nossa região está ampliando suas fronteiras para se tornar um mercado nacional.
Mas há diferença entre ter interesse e decidir o momento exato de investir.
É justamente por isso que o período posterior às eleições pode ser tão relevante.
Com o resultado das urnas, uma variável importante deixa de existir: a incerteza sobre quem governará.
O investidor passa a conhecer o presidente eleito, a composição do Congresso Nacional e do Senado e, posteriormente, as primeiras sinalizações da política econômica para os próximos anos.
Caso haja alternância de poder, o mercado avaliará as propostas e os primeiros sinais do novo governo. Caso haja continuidade, fará exatamente o mesmo em relação ao governo reeleito.
Em qualquer cenário, saímos das hipóteses e passamos a trabalhar com fatos.
2027 pode abrir um novo ciclo
É por isso que vejo com confiança o período pós-eleitoral e, especialmente, 2027.
Não porque uma eleição, isoladamente, seja capaz de determinar o sucesso do mercado imobiliário. Nossa própria história recente demonstra o contrário.
Independentemente dos diferentes momentos da economia brasileira, o litoral catarinense continuou se transformando, atraindo investimentos e aumentando sua relevância nacional.
Se aos fundamentos que já possuímos conseguirmos acrescentar um ambiente de maior previsibilidade econômica, segurança jurídica, equilíbrio fiscal, inflação controlada e juros gradualmente menores, teremos condições bastante favoráveis para uma nova etapa de investimentos.
E talvez esse seja o principal ponto para quem observa o mercado neste momento.
As eleições passam. Os governos mudam. Os ciclos econômicos se renovam. Os fundamentos permanecem.
E os fundamentos do litoral catarinense continuam muito fortes.
O autor é advogado atuante desde 2009, diretor comercial da Rosecon e CEO da AG Santé Participações e da Construtora AG Santé Empreendimentos. Atua há aproximadamente 15 anos no mercado imobiliário catarinense, acompanhando a expansão e a consolidação do litoral norte de Santa Catarina e da Costa Esmeralda como importantes polos de desenvolvimento e inve