O mercado do boi gordo começa a semana com cenário favorável aos pecuaristas. A oferta de animais terminados permanece limitada, enquanto os frigoríficos enfrentam dificuldades para completar as escalas de abate e precisam elevar as propostas em algumas regiões.
Em São Paulo, o boi destinado ao mercado interno encerrou a última semana cotado em R$ 362 por arroba, uma alta de R$ 6/@ em relação à semana anterior. Já o boi com padrão para exportação à China terminou o período em R$ 370/@, avanço de R$ 10/@.
Além das referências oficiais, foram registrados negócios pontuais em valores ainda maiores. Algumas operações chegaram a R$ 375/@ em São Paulo, enquanto negociações específicas também alcançaram patamares elevados em outras regiões produtoras.
Escalas de abate seguem curtas
A principal sustentação para os preços continua sendo a dificuldade dos frigoríficos em encontrar animais prontos para o abate.
As programações das indústrias permanecem, em média, entre cinco e sete dias úteis, o que obriga os compradores a retornarem ao mercado com frequência para garantir novos lotes.
A situação é mais evidente entre frigoríficos de pequeno e médio porte, que possuem menor cobertura de animais e acabam demonstrando maior disposição para melhorar as ofertas.
Alta se espalha pelas principais regiões
O movimento de valorização não ficou restrito a São Paulo. Levantamentos recentes apontaram altas em diversas regiões produtoras, incluindo Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins.
No fechamento da última sexta-feira, algumas das principais referências estaduais ficaram nos seguintes níveis:
São Paulo: R$ 369,00/@
Goiás: R$ 356,25/@
Minas Gerais: R$ 361,79/@
Mato Grosso do Sul: R$ 360,68/@
Mato Grosso: R$ 342,91/@
Os valores representam referências médias e podem variar conforme a qualidade dos animais, localização, prazo de pagamento e condições negociadas com cada frigorífico.
Mercado da carne será decisivo
Apesar da valorização do boi gordo, o comportamento da carne bovina no atacado será importante para definir a continuidade do movimento.
Os preços dos principais cortes encerraram a semana relativamente estáveis, enquanto a indústria enfrenta o desafio de repassar o aumento da matéria-prima para o consumidor.
A entrada dos salários no início do mês pode favorecer a reposição nos supermercados e estimular o consumo. Por outro lado, carnes de frango e suína continuam exercendo pressão competitiva sobre a proteína bovina.
Perspectiva é de mercado firme
Para os próximos dias, a combinação entre oferta restrita e escalas curtas mantém o mercado sustentado.
Pecuaristas com animais terminados ganham maior poder de negociação, principalmente nas regiões onde os frigoríficos estão com maior necessidade de compra.
O comportamento das indústrias, a evolução das escalas e a capacidade de venda da carne serão os principais fatores para determinar se a arroba continuará avançando ao longo da semana.
No mercado futuro, os contratos também sinalizam expectativas de preços elevados para os próximos meses, reforçando a percepção de um cenário de maior firmeza para a pecuária.
Para o produtor, o momento exige atenção às diferentes propostas dos compradores. Além do preço por arroba, é importante considerar prazo de pagamento, descontos, frete e eventuais bonificações antes de fechar a negociação.