O mercado do boi gordo segue firme no Brasil, impulsionado pela oferta restrita de animais prontos para o abate e pela dificuldade dos frigoríficos em completar suas escalas. Em São Paulo, negócios pontuais chegaram a R$ 390 por arroba, embora o valor ainda não represente uma referência consolidada para todo o mercado.
Os levantamentos referentes à segunda-feira (19) indicam que a disputa pela compra de bovinos terminados continua sustentando as cotações. Por outro lado, o consumo doméstico de carne bovina perdeu força na segunda quinzena do mês, limitando a capacidade das indústrias de repassar novos aumentos ao atacado.
Negócios a R$ 390 mostram força da arroba
Segundo a Agrifatto, a referência do boi gordo em São Paulo ficou em R$ 385 por arroba, com pagamento a prazo. Algumas negociações alcançaram R$ 390, principalmente em situações nas quais os frigoríficos precisavam garantir animais para os próximos abates.
O levantamento da Scot Consultoria apontou estabilidade nas referências paulistas para os machos. O boi gordo sem padrão de exportação foi cotado a R$ 380 por arroba, enquanto o chamado boi-China ficou em R$ 385. Já a vaca gorda chegou a R$ 355 por arroba, com alta de R$ 5 em relação à sexta-feira (16).
Os valores variam conforme a categoria dos animais, as condições comerciais e a necessidade de compra de cada indústria. Por isso, negócios pontuais acima da referência não significam que todos os pecuaristas consigam vender pelo mesmo preço.
Escalas curtas dificultam compras dos frigoríficos
A oferta limitada de bovinos terminados mantém as indústrias em busca de novos lotes. Segundo a Safras & Mercado, as escalas de abate estavam concentradas entre cinco e seis dias úteis na maioria das regiões pesquisadas.
As médias estaduais divulgadas pela consultoria foram:
- São Paulo: R$ 384,13 por arroba;
- Minas Gerais: R$ 375,29 por arroba;
- Mato Grosso do Sul: R$ 372,95 por arroba;
- Goiás: R$ 369,46 por arroba;
- Mato Grosso: R$ 357,09 por arroba.
A necessidade de recompor as programações de abate dá sustentação às cotações, mas a pressão de compra não é igual em todas as regiões. Frigoríficos com escalas mais confortáveis têm maior margem para negociar, enquanto unidades com necessidade imediata de animais podem oferecer valores mais elevados.
Indicador acumula alta de 4,5% em outubro
O Indicador Cepea/Esalq atingiu R$ 380,70 por arroba na sexta-feira (16), acumulando valorização de 4,5% em outubro e de 0,8% na semana.
Apesar da alta, o mercado apresenta negociações seletivas e diferenças importantes entre as regiões. A resistência de compradores e vendedores em aceitar determinados preços também limita a liquidez.
Consumo de carne pode limitar novas altas
No atacado paulista, os preços acompanhados pela Safras & Mercado permaneceram estáveis. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 22 por quilo, o traseiro a R$ 29,50 e a ponta de agulha a R$ 20,50.