* Anderson Roberto dos Santos, apicultor
A criação de abelhas exige acompanhamento constante, atenção às condições do ambiente e, principalmente, uma boa relação com as atividades agrícolas que ocorrem próximas aos apiários. Trabalho com apicultura há mais de 10 anos e, ao longo desse período, aprendi que a comunicação entre apicultores e agricultores é um dos principais caminhos para prevenir ocorrências e buscar soluções efetivas.
Atualmente, com cerca de 35 colmeias de Apis mellifera (abelha-europeia), em Votuporanga (SP), mantenho meus apiários em uma região cercada por áreas de produção agrícola, com laranjais e canaviais nas proximidades.
Essa convivência faz parte da realidade de muitos apicultores e, por isso, considero fundamental que exista uma troca de informações entre as partes. Conhecer a localização das colmeias, as características da produção e os períodos de aplicação são informações importantes para que as atividades possam ocorrer de maneira segura.
Tenho o hábito de visitar meus apiários com frequência, praticamente um dia sim e outro não. Esse acompanhamento próximo permite perceber rapidamente quando existe alguma alteração no comportamento das abelhas.
Em uma dessas visitas, observei que algumas delas apresentavam comportamento diferente do habitual na linha de voo. Ao tentar entrar nas colmeias, elas rodopiavam, caíam e morriam. Diante da situação, fiz registros em vídeo para documentar a situação. Como já havia passado por uma situação semelhante anteriormente, entendi que era importante buscar orientação e comunicar o caso.
Foi nesse momento que procurei o atendimento do 0800 do Colmeia Viva, por indicação de outro apicultor. O contato foi importante para que eu pudesse explicar o que havia ocorrido e receber orientações sobre os próximos passos.
Fui atendido e pude relatar os detalhes e as condições observadas no local. Recebi orientações sobre a importância de registrar adequadamente as informações e sobre os procedimentos para o encaminhamento do caso.
No meu caso, duas colmeias foram afetadas. A quantidade de abelhas perdidas foi muito grande e foi necessário descartar favos e melgueiras que estavam cheios de mel, o que trouxe impactos para a atividade – ainda não foi possível apurar as causas.
Essa experiência reforçou para mim a importância de saber a quem recorrer quando algo fora do normal acontece. O apicultor muitas vezes se depara com uma situação inesperada e não sabe exatamente quais medidas deve tomar, quais órgãos procurar ou como registrar adequadamente o ocorrido. Ter acesso a um canal de atendimento e orientação pode fazer diferença nesse momento. E mais importante que pensar no passado, quero melhorias para o futuro, para que essa situação não volte a ocorrer.
Ao mesmo tempo, acredito que precisamos avançar na informação que chega aos apicultores. É importante que eles conheçam os procedimentos para formalizar uma ocorrência, saibam da necessidade de buscar o atendimento dos órgãos oficiais e tenham orientação sobre a documentação e as etapas envolvidas na apuração de um caso.
A relação com os agricultores também precisa ser fortalecida. O apicultor tem responsabilidade pela instalação e pelo manejo das colmeias e deve considerar as características das áreas produtivas no entorno. Da mesma forma, quem realiza aplicações em lavouras precisa conhecer a presença dos apiários próximos e adotar os cuidados necessários para reduzir os riscos de exposição das abelhas.
Essa comunicação pode começar com algo simples: o contato direto. Informar onde estão os apiários, conversar sobre os períodos de aplicação e alinhar os procedimentos pode contribuir para evitar situações de conflito. Quando existe conhecimento sobre a atividade do outro, fica mais fácil encontrar alternativas que permitam a convivência entre a produção agrícola e a apicultura.
As condições do ambiente também precisam ser consideradas. Vento, presença de flores, horário de atividade das abelhas e proximidade de recursos hídricos são fatores que devem fazer parte do planejamento das atividades no campo. São cuidados que contribuem para reduzir riscos e favorecer uma convivência mais segura entre agricultura e apicultura.
Por isso, acredito que iniciativas que aproximem apicultores, agricultores e instituições são importantes para ampliar o conhecimento e orientar as decisões no campo. O atendimento do 0800 do Colmeia Viva tem um papel relevante nesse processo ao oferecer um canal para que o apicultor relate ocorrências e receba direcionamentos sobre como proceder.
Na minha experiência, ter esse suporte fez diferença porque, diante de uma situação de mortalidade, eu precisava entender quais caminhos seguir. O atendimento ajudou a organizar as informações e a buscar os procedimentos adequados junto aos órgãos responsáveis pela avaliação e pelo encaminhamento do caso.
Ainda temos muito a avançar. A convivência entre a apicultura e a agricultura exige responsabilidade de todos os envolvidos. O produtor precisa estar atento às condições da aplicação, enquanto o apicultor deve acompanhar seus apiários e manter uma comunicação próxima com as propriedades vizinhas.
Quando existe diálogo e informação, fica mais fácil construir uma convivência segura e harmoniosa entre todos.
* Anderson Roberto dos Santos, apicultor