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4 de novembro de 2026 - 11:42h

A Folha Agrícola

Boi gordo completa nove semanas de alta e arroba de R$ 420 entra no radar

O mercado brasileiro do boi gordo iniciou novembro em trajetória de valorização, acumulando nove semanas consecutivas de alta. Com oferta restrita de animais terminados e frigoríficos disputando lotes para abate, a arroba de R$ 420 começa a ganhar espaço nas projeções para as próximas semanas.

Na terça-feira (3), primeiro dia útil após o feriado de Finados, a Scot Consultoria registrou alta de R$ 2 por arroba em São Paulo, elevando a referência do boi gordo para R$ 387/@ a prazo. Para animais destinados à exportação para a China, a cotação chegou a R$ 390/@.

Segundo levantamento da Safras & Mercado, as médias regionais também mostram diferenças entre os principais estados produtores. São Paulo registrou R$ 391,75 por arroba, seguido por Minas Gerais (R$ 385,29), Mato Grosso do Sul (R$ 382,61), Goiás (R$ 376,25) e Mato Grosso (R$ 367,64).

Oferta restrita sustenta valorização

A disponibilidade limitada de bovinos prontos para abate continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços. Com dificuldade para ampliar as escalas, os frigoríficos precisam disputar os animais disponíveis, favorecendo a posição de negociação dos pecuaristas.

De acordo com a Agrifatto, as escalas de abate apresentavam média nacional de 7,1 dias. Já algumas indústrias trabalhavam com programações concentradas entre cinco e seis dias úteis, indicando necessidade de recomposição dos estoques de animais.

Esse cenário tem permitido negociações acima de R$ 400 por arroba em determinadas regiões. No Paraná, por exemplo, foi registrada uma negociação pontual de R$ 410/@ à vista, no município de Santa Mônica, na terça-feira (3).

China pode impulsionar novas altas

A demanda internacional, especialmente da China, aparece como outro fator importante para o mercado pecuário.

A proximidade de um novo período comercial em 2027 e a previsão de cota brasileira de exportação de 1,128 milhão de toneladas podem estimular frigoríficos exportadores a antecipar compras e organizar os embarques.

Segundo avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a combinação entre oferta ajustada e expectativa de demanda externa mais aquecida mantém um cenário favorável para novas valorizações.

A possibilidade de a arroba alcançar R$ 420 na primeira quinzena de novembro já havia sido mencionada pelo analista, desde que os fundamentos positivos do mercado sejam mantidos.

Consumo interno também entra no radar

Além das exportações, o mercado doméstico pode contribuir para sustentar os preços nos próximos meses.

A entrada do décimo terceiro salário, o aumento da circulação de renda e as confraternizações de fim de ano costumam favorecer o consumo de carne bovina em novembro e dezembro.

Entretanto, o avanço da arroba ainda encontra resistência no mercado atacadista. No levantamento da Safras & Mercado de 3 de novembro, os preços dos principais cortes permaneceram estáveis: quarto dianteiro a R$ 22,50/kg, quarto traseiro a R$ 29,50/kg e ponta de agulha a R$ 21,00/kg.

Essa diferença entre o custo da matéria-prima e o preço da carne limita a capacidade dos frigoríficos de absorver novos reajustes.

Arroba de R$ 420 depende da continuidade da alta

A possibilidade de alcançar R$ 420 por arroba está condicionada à manutenção da oferta restrita, ao fortalecimento das exportações e à recuperação do consumo interno.

Para o pecuarista, o momento oferece melhores condições de negociação, mas a decisão de venda exige atenção aos custos de manutenção dos animais, ganho de peso, disponibilidade de pastagens e condições oferecidas pelos frigoríficos.

A sequência de nove semanas de valorização reforça a firmeza do mercado, mas o desafio será transformar as expectativas de novas altas em negócios efetivamente sustentados.

Fonte: Compre Rural, com informações da Scot Consultoria, Agrifatto e Safras & Mercado. CompreRural

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Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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