O mercado pecuário brasileiro começou novembro com preços elevados para a reposição. O valor do bezerro Nelore de 240 quilos já ultrapassa R$ 4 mil por cabeça em cinco estados, refletindo a valorização dos animais e o alto custo para quem precisa recompor o rebanho.
Levantamento da Scot Consultoria, com cotações de 3 de novembro, aponta Mato Grosso do Sul com o maior preço entre as praças analisadas, chegando a R$ 4.385,82 por cabeça. No Paraná, a cotação alcançou R$ 4.300,56.
Também registraram valores acima de R$ 4 mil os estados de Mato Grosso, São Paulo e Goiás.
Confira os preços do bezerro por estado
Segundo os dados da Scot Consultoria, para machos Nelore de 12 meses e 240 quilos, as cotações foram:
- Mato Grosso do Sul: R$ 4.385,82
- Paraná: R$ 4.300,56
- Mato Grosso: R$ 4.151,80
- São Paulo: R$ 4.123,64
- Goiás: R$ 4.021,65
- Minas Gerais: R$ 3.971,75
Os números mostram a pressão sobre os custos de reposição, especialmente para pecuaristas que precisam adquirir novos animais para dar continuidade ao ciclo de produção.
Alta do boi gordo melhora poder de compra
Apesar do bezerro mais caro, o avanço do boi gordo trouxe uma melhora na relação de troca para o pecuarista.
Levantamento da Farmnews, com dados do Cepea, aponta que o boi gordo encerrou outubro cotado a R$ 389,90 por arroba, registrando valorização de 7% em relação ao fechamento de setembro.
No mesmo período, o indicador do bezerro em Mato Grosso do Sul chegou a aproximadamente R$ 3.573 por cabeça, com alta de 3,7% na comparação mensal.
Como o boi gordo apresentou valorização mais intensa, o pecuarista passou a precisar de menos arrobas para comprar um bezerro.
Relação de troca apresenta melhora
A relação entre o preço do bezerro e o valor da arroba do boi gordo recuou de aproximadamente 9,46 arrobas no final de setembro para 9,16 arrobas no encerramento de outubro.
Na prática, isso representa uma redução de cerca de 3,1% na quantidade de arrobas necessárias para adquirir um animal de reposição.
O resultado indica uma melhora no poder de compra de quem comercializa animais terminados e precisa investir na reposição do rebanho.
Custo da reposição exige planejamento
Mesmo com a melhora na relação de troca, o preço elevado dos bezerros continua exigindo atenção dos pecuaristas.
Além do investimento inicial na compra dos animais, é necessário considerar despesas com alimentação, sanidade, transporte e manutenção do rebanho até a comercialização.
Outro fator importante é o peso dos animais. Avaliar apenas o preço por cabeça pode distorcer a comparação entre lotes, sendo fundamental observar o peso efetivo e o valor pago por quilo vivo.
Com a reposição em patamares elevados, a rentabilidade da pecuária dependerá não apenas do preço de venda do boi gordo, mas também da eficiência produtiva e do controle dos custos ao longo de todo o ciclo.
Fonte: Scot Consultoria, Farmnews e Cepea, conforme levantamento publicado pelo Compre Rural.