O mercado do boi gordo encerrou outubro de 2026 em um patamar histórico. A arroba atingiu a maior média mensal em termos reais desde o início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em 1994, registrando valorização de 17,75% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para o estado de São Paulo, a média mensal chegou a R$ 379,55 por arroba em outubro. O resultado representa alta de 7,5% em comparação com setembro, considerando os valores corrigidos pelo IGP-DI.
A valorização ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais terminados e demanda consistente por carne bovina, fatores que aumentaram a disputa dos frigoríficos pela matéria-prima.
Arroba supera recorde real registrado em 2020
Além da média mensal histórica, as cotações registradas no encerramento de outubro também chamaram a atenção do mercado.
No dia 30 de outubro, último dia útil do mês, o indicador paulista alcançou R$ 389,90 por arroba, à vista. O valor superou o recorde real anterior, de R$ 385,26, registrado em 11 de novembro de 2020, considerando a mesma base de correção monetária.
Na primeira semana de novembro, conforme levantamento divulgado pelo Cepea em 5 de novembro, a referência paulista continuava próxima de R$ 390 por arroba.
Oferta limitada fortalece a negociação do pecuarista
Segundo pesquisadores do Cepea, a menor disponibilidade de animais prontos para o abate, aliada à demanda consistente por carne bovina, ampliou a concorrência entre os frigoríficos.
Com menos lotes disponíveis, a indústria precisa disputar os animais para atender às necessidades de compra, cenário que pode proporcionar melhores condições de negociação aos pecuaristas.
Apesar disso, os preços variam conforme a região, a qualidade dos animais, a quantidade de compradores e as condições comerciais oferecidas pelos frigoríficos.
Preço recorde não significa necessariamente lucro maior
Mesmo com a valorização expressiva da arroba, o resultado financeiro da atividade depende dos custos de produção de cada propriedade.
Despesas com alimentação, aquisição de animais para reposição, mão de obra, manejo e custos financeiros continuam influenciando diretamente a rentabilidade da pecuária.
Para quem trabalha com recria e engorda, por exemplo, é importante avaliar a relação entre o preço de venda e o custo de aquisição de novos animais.
O momento também exige atenção dos produtores que possuem lotes próximos do acabamento. A decisão de esperar por novas valorizações precisa considerar o custo adicional de manutenção dos animais e o ganho de peso esperado.
Mercado dependerá da oferta e da demanda nos próximos meses
A continuidade do movimento de valorização dependerá principalmente da disponibilidade de animais terminados, da capacidade dos frigoríficos de repassar os reajustes ao longo da cadeia e do comportamento do consumo interno e das exportações.
A oferta restrita pode continuar favorecendo as negociações, mas eventuais dificuldades de comercialização da carne podem limitar a capacidade de compra da indústria.
O recorde registrado em outubro confirma o momento positivo das cotações do boi gordo, mas a rentabilidade continuará dependendo da gestão dos custos e das estratégias de comercialização adotadas em cada propriedade.
Fonte: Cepea/Esalq, com informações do Compre Rural.