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8 de julho de 2026 - 15:16h

A Folha Agrícola

Fundopem da Irrigação está entre as propostas da indústria entregue aos pré-candidatos

Indústria gaúcha entrega propostas aos pré-candidatos ao governo e defende Plano Estadual de Irrigação para fortalecer o desenvolvimento do Estado

A irrigação, considerada pela indústria uma das principais estratégias para ampliar a competitividade do agronegócio, fortalecer a agroindústria e impulsionar o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, integra a pauta prioritária apresentada pelo Sistema FIERGS aos pré-candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026.

As propostas fazem parte do documento Propostas Indústria RS, entregue nesta terça-feira (7) pelo presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, durante reunião da diretoria da entidade com os pré-candidatos ao Palácio Piratini. Pela manhã, o conteúdo também foi apresentado à imprensa em entrevista coletiva.

Com cerca de 120 páginas, o documento reúne 118 propostas para as esferas estadual e federal, elaboradas a partir das contribuições dos conselhos superiores e comitês temáticos do Sistema FIERGS. O material consolida uma agenda construída pela indústria para ampliar a competitividade, atrair investimentos, aumentar a produtividade, gerar empregos e acelerar o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Sul.

Das 118 propostas, 72 estão organizadas em oito eixos estratégicos: relações do trabalho e desenvolvimento do capital humano; segurança jurídica; ambiente de negócios, desburocratização e redução do Custo Brasil; promoção de negócios, atração de investimentos e internacionalização; inovação e inteligência estratégica; infraestrutura e logística multimodal; sustentabilidade e transição energética; e representatividade, articulação institucional e parcerias estratégicas. O documento também reúne 27 demandas específicas de diferentes segmentos industriais, 19 propostas voltadas às áreas de educação, inovação, saúde e cultura, além de uma Pauta Mínima, considerada prioritária para o crescimento econômico do Estado.

Entre as prioridades defendidas pela indústria está a instituição e implementação de um Plano Estadual de Irrigação, integrado à Política Estadual de Irrigação. A proposta prevê o mapeamento técnico das demandas hídricas, a identificação das bacias hidrográficas prioritárias, o planejamento da infraestrutura necessária, a avaliação da demanda energética e o estabelecimento de diretrizes ambientais capazes de ampliar a área irrigada com segurança jurídica, eficiência e previsibilidade para os investimentos.

Outra medida considerada estratégica é a criação do Fundopem da Irrigação, um mecanismo de incentivo destinado à implantação, ampliação e modernização de sistemas de irrigação no Rio Grande do Sul. Inspirada no modelo do Fundopem/RS, a proposta prevê a concessão de crédito presumido para estimular investimentos em equipamentos de irrigação produzidos no Estado, reduzindo o custo de implantação dos projetos e incentivando a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade no campo.

Além de minimizar os impactos das estiagens recorrentes, a iniciativa busca ampliar a oferta de matéria-prima para a agroindústria, proporcionar maior previsibilidade às safras e estimular novos investimentos em toda a cadeia produtiva. Os efeitos também alcançam diretamente a indústria de máquinas e implementos agrícolas, segmento no qual o Rio Grande do Sul é referência nacional, ao incentivar a aquisição de equipamentos fabricados pelas empresas gaúchas e fortalecer um dos principais polos industriais do país.

Para o presidente do Sistema FIERGS e do Simers, Claudio Bier, investir em irrigação significa criar condições para que o Rio Grande do Sul deixe de conviver com ciclos recorrentes de perdas provocadas pela estiagem e passe a construir um ambiente mais competitivo para toda a economia.

“As estiagens deixaram de ser um problema exclusivo do produtor rural. Hoje elas afetam toda a economia gaúcha. Quando falta água, a produção diminui, a agroindústria perde competitividade, a indústria vende menos máquinas e equipamentos, empregos deixam de ser gerados e o Estado arrecada menos. Defendemos o Fundopem da Irrigação há muitos anos porque acreditamos que ele cria um ciclo virtuoso de desenvolvimento. Investir em irrigação é investir em produtividade, renda, segurança para o produtor e crescimento para os dois pilares da economia do Rio Grande do Sul: o agronegócio e a indústria.”

Durante a apresentação das propostas, o presidente do Sistema FIERGS e do Simers, Claudio Bier, também manifestou preocupação com o avanço das importações de máquinas agrícolas, especialmente de equipamentos chineses. Segundo ele, políticas públicas voltadas à expansão da irrigação devem estar alinhadas ao fortalecimento da indústria instalada no Estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul concentra mais de 65% da produção brasileira de máquinas e implementos agrícolas, um setor estratégico que gera dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, movimenta uma ampla cadeia de fornecedores e desempenha papel decisivo para a competitividade do agronegócio nacional.