A produção brasileira de noz-pecã deverá crescer em 2026, impulsionada pela entrada de novos pomares em fase produtiva e pelas condições climáticas favoráveis registradas em importantes regiões produtoras do Sul do país. Apesar da expectativa de uma safra mais robusta, o ritmo das exportações segue mais lento, refletindo um cenário internacional mais desafiador para o setor.
O Brasil vem ampliando sua participação no mercado global de noz-pecã nos últimos anos, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No entanto, produtores e exportadores enfrentam uma combinação de fatores que tem reduzido a competitividade do produto brasileiro no exterior.
Um dos principais entraves é o aumento dos custos logísticos. O frete marítimo internacional permanece em níveis elevados em comparação aos anos anteriores, pressionado por gargalos nas cadeias globais de transporte e instabilidades nas rotas comerciais. Como a noz-pecã é exportada em volumes relativamente menores, o custo do transporte acaba tendo um peso significativo sobre as margens do setor.
Outro fator de preocupação são as exigências sanitárias cada vez mais rigorosas da União Europeia. O bloco vem ampliando regras relacionadas à rastreabilidade, controles fitossanitários e requisitos de sustentabilidade para produtos agrícolas importados. Essas medidas exigem maiores investimentos em certificações, adequações produtivas e documentação, elevando os custos para os exportadores brasileiros.
Além disso, as discussões comerciais envolvendo os Estados Unidos também trazem incertezas ao mercado internacional. Mudanças tarifárias e novas políticas comerciais podem alterar os fluxos globais de comércio, aumentando a concorrência em mercados estratégicos e dificultando a expansão das exportações brasileiras.
Diante desse cenário, parte da produção adicional poderá ser direcionada ao mercado interno ou exigir a abertura de novos destinos comerciais para absorver o aumento da oferta.
Apesar dos desafios, as perspectivas de longo prazo permanecem positivas. O consumo mundial de castanhas e frutas secas continua em crescimento, impulsionado pela busca por alimentos saudáveis e pelo aumento da demanda em mercados emergentes.
Para os produtores, o momento exige atenção aos custos de produção, diversificação de mercados e investimentos em qualidade e agregação de valor, estratégias consideradas fundamentais para manter a competitividade da noz-pecã brasileira no cenário internacional.