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24 de julho de 2026 - 14:34h

A Folha Agrícola

Peletização pode antecipar em até 15 dias a produção de mudas de salsão

Tecnologia permite semeadura de uma semente por célula, elimina o repique e contribui para reorganizar a mão de obra nos viveiros

A produção de mudas de salsão, tradicionalmente marcada pela dificuldade de manipulação de sementes muito pequenas, começa a ganhar mais precisão com o uso da peletização. A tecnologia permite realizar a semeadura de uma unidade por célula, eliminar o repique e reduzir o tempo de permanência das mudas no viveiro. 

Em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, viveiristas que adotaram sementes peletizadas relatam maior agilidade na operação, melhor aproveitamento da mão de obra e ganhos no ciclo de produção. 

A peletização consiste na aplicação de um revestimento mineral ao redor da semente, tornando seu tamanho e formato mais regulares. Essa padronização facilita a distribuição nas bandejas e o uso de equipamentos de semeadura. 

Segundo o gerente de Qualidade e Tecnologia de Sementes da Agristar do Brasil, Carlos Formoso, o processo não altera o potencial genético do material. “A peletização ajuda a posicionar melhor a semente na bandeja ou no solo. Isso favorece a semeadura unitária e contribui para uma produção de mudas mais uniforme”, explica. 

Na produção convencional, a dificuldade de distribuir individualmente as sementes de salsão leva muitos viveiros a realizar a semeadura adensada. Após a germinação, as plantas precisam ser separadas e transferidas para outras células, processo conhecido como repique. 

Além de exigir tempo e mão de obra, essa etapa pode provocar danos ao sistema radicular. Com a semente peletizada, o viveiro consegue colocar uma unidade em cada célula e retirar o repique da operação. 

Produção passa de 75 para 60 dias 

O viveirista Paulo Alcântara utiliza sementes peletizadas do salsão Olimpo, da linha TSV Sementes, em sua produção em Nova Friburgo. Desde fevereiro de 2026, ele semeia cerca de 10 mil sementes por semana. 

Antes da adoção da tecnologia, uma pessoa ficava responsável pelo repique das mudas. Atualmente, a semeadura é realizada com um semeador e uma semente por célula. “A mesma pessoa que realizava o repique passou a desempenhar outras funções no viveiro”, relata Alcântara. 

Segundo ele, a mudança também reduziu o tempo necessário para entregar as mudas aos produtores. Em condições adequadas, o ciclo com a semente nua levava, em média, 75 dias. Com o material peletizado, passou para aproximadamente 60 dias. 

“Ganho cerca de 15 dias por ciclo dentro da estufa. Além disso, consigo obter raízes mais saudáveis, porque a ausência do repique evita danos ao sistema radicular e reduz o risco de entrada de doenças”, afirma. 

Também em Nova Friburgo, o viveirista Thiago Vidalino trabalha com a produção de mudas há mais de dez anos e começou a utilizar o salsão peletizado em 2025, inicialmente em testes. 

Antes, a semeadura era feita manualmente em bandejas com várias sementes. Depois da germinação, as plantas eram repicadas para outras bandejas, até que cada célula recebesse uma única muda. Com a adoção do material peletizado, o viveiro passou a utilizar um semeador específico para a cultura. 

“Conseguimos identificar uma boa aceitação dentro do viveiro, principalmente pela agilidade, pela qualidade das mudas e pela redução de problemas associados ao repique, que mexe muito com a estrutura da planta e das raízes”, afirma Vidalino. 

Após a peletização, as sementes passam por avaliações laboratoriais para verificar se o revestimento preserva a qualidade fisiológica do lote e permite a germinação normal.  

“Uma semente peletizada precisa manter a mesma qualidade fisiológica do lote original. O revestimento deve apenas favorecer o plantio e permitir que a semente inicie sua germinação normalmente quando entra em contato com a umidade”, destaca Formoso. 

Para os viveiros, os resultados observados mostram que a tecnologia pode contribuir para tornar a produção de mudas de salsão mais previsível, com menos etapas manuais, melhor aproveitamento da equipe e maior rapidez entre a semeadura e a entrega ao produtor.