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3 de agosto de 2026 - 13:59h

A Folha Agrícola

Produção e consumo de proteínas animais avançam em 2026, projeta ABPA

Exportações de carne de frango e carne suína devem alcançar novos recordes; primeiras projeções apontam continuidade do crescimento em 2027

A produção brasileira de carne de frango, carne suína e ovos deverá encerrar 2026 em níveis superiores aos registrados no ano passado. O crescimento será acompanhado pela ampliação da oferta no mercado interno e do consumo per capita das três proteínas. As novas projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) foram apresentadas hoje, durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo (SP).

Entre os setores analisados, a produção de carne de frango poderá crescer até 5,6% neste ano. Para a carne suína, a elevação projetada chega a 5%, enquanto a produção de ovos deverá avançar até 4,1%. No comércio internacional, os embarques de carne de frango e carne suína poderão alcançar novos recordes, com altas de até 10,3% e 5,9%, respectivamente.

As projeções também indicam que o avanço das exportações ocorrerá simultaneamente ao aumento da oferta ao consumidor brasileiro. A disponibilidade interna de carne de frango deverá crescer 3,1% em 2026, enquanto a de carne suína poderá avançar 4,6%. O consumo per capita de ovos, por sua vez, deverá alcançar o maior nível já registrado no país.

“A trajetória projetada mostra um crescimento equilibrado. O setor amplia sua presença internacional sem reduzir a oferta ao mercado brasileiro. Ao contrário: teremos mais carne de frango e carne suína disponíveis internamente e novo avanço no consumo de ovos. É um movimento importante, especialmente em um momento no qual as famílias buscam proteínas acessíveis, nutritivas e presentes no dia a dia”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

CARNE DE FRANGO – A produção brasileira deverá ficar entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas em 2026. No limite superior da projeção, o resultado representará crescimento de até 5,6% em relação às 15,289 milhões de toneladas produzidas em 2025.

As exportações poderão alcançar 5,875 milhões de toneladas, volume até 10,3% superior às 5,324 milhões de toneladas embarcadas no ano passado. Caso a projeção se confirme, o Brasil estabelecerá um novo recorde anual nas vendas internacionais de carne de frango.

Ao mesmo tempo, a disponibilidade do produto no mercado brasileiro deverá atingir aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, com crescimento de até 3,1% sobre as 9,965 milhões de toneladas de 2025. Em termos absolutos, serão cerca de 310 mil toneladas adicionais destinadas ao consumo doméstico, o equivalente a aproximadamente 26 mil toneladas a mais por mês.

O consumo per capita deverá chegar a até 48,1 quilos por habitante em 2026, ante 46,7 quilos no ano passado, também com alta de até 3,1%.

Para 2027, as primeiras projeções apontam continuidade do crescimento. A produção poderá alcançar até 16,600 milhões de toneladas, com elevação de até 2,8% sobre 2026. As exportações poderão chegar a 6,050 milhões de toneladas, alta de até 3%.

A disponibilidade interna é estimada em aproximadamente 10,550 milhões de toneladas, enquanto o consumo per capita poderá alcançar 49,4 quilos por habitante, avanços de até 2,7%.

CARNE SUÍNA – A produção nacional poderá totalizar até 5,870 milhões de toneladas em 2026, alta de até 5% sobre as 5,592 milhões de toneladas registradas em 2025.

Os embarques internacionais deverão crescer até 5,9%, passando de 1,510 milhão de toneladas no ano passado para até 1,600 milhão de toneladas em 2026. O resultado, se confirmado, representará um novo recorde anual para as exportações brasileiras de carne suína.

No mercado interno, a disponibilidade da proteína deverá avançar até 4,6%, alcançando aproximadamente 4,270 milhões de toneladas, frente às 4,082 milhões de toneladas de 2025. O consumo per capita poderá chegar a 20 quilos por habitante, ante 19,1 quilos no ano passado.

Para 2027, a ABPA projeta produção de até 6,050 milhões de toneladas e exportações de até 1,700 milhão de toneladas, com altas de até 3,1% e 6,3%, respectivamente.

A disponibilidade doméstica deverá ficar próxima de 4,350 milhões de toneladas, enquanto o consumo per capita poderá alcançar 20,4 quilos por habitante, crescimentos de até 1,9%.

OVOS – A produção brasileira deverá atingir até 64,8 bilhões de unidades em 2026, volume até 4,1% superior às 62,253 bilhões de unidades produzidas em 2025.

O consumo per capita também seguirá em elevação, passando de 288 unidades por habitante no ano passado para até 301 unidades em 2026, crescimento de até 4,5%. O movimento reforça a presença dos ovos entre as proteínas mais consumidas pelos brasileiros.

As exportações deverão totalizar até 30 mil toneladas, retração de até 26,6% em relação às 40.894 toneladas embarcadas em 2025. A comparação, entretanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada, formada pelos embarques extraordinários realizados pelo setor no ano passado.

Mesmo com a acomodação projetada, o volume exportado em 2026 deverá permanecer cerca de 62% acima do registrado em 2024, quando o Brasil embarcou 18.469 toneladas.

Para 2027, a produção nacional de ovos poderá alcançar até 66,5 bilhões de unidades, com crescimento de até 2,6%. As exportações deverão voltar a avançar, chegando a até 34,5 mil toneladas, alta de até 15%. O consumo per capita poderá atingir 312 unidades por habitante, crescimento de até 3,5%.

“Os números apontam uma perspectiva positiva também para 2027, mas a concretização dessas projeções dependerá da manutenção da competitividade, da previsibilidade econômica, da preservação do status sanitário brasileiro e da continuidade do trabalho de abertura e diversificação de mercados. O setor seguirá atento aos custos de produção, às barreiras comerciais, aos conflitos geopolíticos e aos desafios logísticos que podem influenciar esse cenário”, conclui Santin.

ASCOM ABPA