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24 de agosto de 2026 - 6:40h

A Folha Agrícola

Boi gordo resiste à pressão dos frigoríficos e setembro ganha força para novas altas

foto Marcela Pereira

O mercado do boi gordo chega à última semana de agosto em um cenário de equilíbrio, com os frigoríficos tentando pressionar os preços, mas encontrando resistência diante da oferta limitada de animais terminados.

A menor disponibilidade de gado pronto para o abate tem sido o principal fator de sustentação da arroba. Mesmo com o consumo interno mais fraco e uma desaceleração momentânea das exportações, a indústria encontra dificuldades para ampliar suas escalas de compra e forçar quedas mais expressivas.

Segundo levantamento da Scot Consultoria realizado em 21 de agosto, o boi gordo comum estava cotado em R$ 347 por arroba no interior de São Paulo, enquanto o boi-China alcançava R$ 350/@, considerando valores brutos e a prazo.

Oferta restrita limita pressão sobre a arroba

A disponibilidade de animais terminados segue como um dos principais pontos de atenção do mercado. Com menos oferta, os pecuaristas conseguem segurar parte dos lotes e resistir às propostas consideradas abaixo das referências.

Esse movimento reduz o espaço para uma queda mais acentuada dos preços, mesmo em um período de demanda doméstica menos aquecida.

Na semana anterior, a Agrifatto também apontou que a dificuldade dos frigoríficos para encontrar animais prontos vinha mantendo o mercado físico firme. Em São Paulo, a média chegou a R$ 347,13/@, enquanto o contrato com vencimento em outubro na B3 terminou cotado a R$ 354/@.

Setembro entra no radar dos pecuaristas

Com a oferta permanecendo ajustada, setembro começa a ser observado como um possível ponto de mudança no comportamento das cotações.

A retomada do consumo interno após o período tradicionalmente mais fraco da segunda metade do mês pode contribuir para melhorar o escoamento da carne. Ao mesmo tempo, a demanda externa e o comportamento das exportações continuam sendo fatores importantes para definir o rumo da arroba.

A combinação entre menor disponibilidade de gado, demanda por animais destinados ao mercado chinês e possíveis estímulos ao comércio externo pode criar espaço para uma nova valorização nas próximas semanas.

Mercado externo exige atenção

Apesar dos fundamentos positivos relacionados à oferta, o cenário internacional ainda impõe cautela.

As exportações brasileiras de carne bovina apresentaram desaceleração em agosto, enquanto o preenchimento da cota chinesa sem tarifa adicional aumentou as incertezas para os embarques destinados ao principal mercado da carne brasileira.

Ainda assim, os preços internacionais permanecem elevados. Dados recentes indicam que a carne bovina in natura brasileira vem sendo negociada no exterior por valores superiores aos registrados no mesmo período do ano passado.

Pecuarista mantém poder de negociação

O momento atual exige atenção dos produtores, mas também mostra que a oferta restrita continua funcionando como uma importante proteção contra quedas mais fortes.

Enquanto os frigoríficos tentam alongar as escalas e comprar a preços menores, os pecuaristas têm optado por maior cautela na liberação dos animais terminados.

Dessa forma, o mercado encerra agosto sem uma definição clara de tendência, mas com fundamentos que podem favorecer a arroba caso a demanda interna e externa ganhe força em setembro.

O próximo mês, portanto, começa no radar do setor como um período que pode trazer uma nova disputa entre oferta e demanda — e, dependendo do comportamento das compras dos frigoríficos, abrir espaço para novas altas no boi gordo.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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