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8 de setembro de 2026 - 6:33h

A Folha Agrícola

Vendas de máquinas agrícolas caem 25,8%, mas mercado pode reagir

As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas acumulam forte retração em 2026, mas a indústria começa a enxergar sinais que podem favorecer uma recuperação nos próximos meses.

Entre janeiro e julho, o faturamento do setor chegou a R$ 26,2 bilhões, queda de 25,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente em julho, a receita líquida foi de R$ 4,86 bilhões, recuo de 27,5% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 2,1% frente a junho.

Os números da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que o produtor continua cauteloso na hora de investir em renovação de frota.

Segundo semestre pode trazer reação

Apesar da queda acumulada, a expectativa do setor é de melhora nas negociações entre agosto e outubro, período tradicionalmente mais movimentado para a comercialização de máquinas agrícolas.

A liberação dos recursos do Plano Safra 2026/27 e a disponibilidade de linhas de financiamento com condições mais atrativas podem ajudar a destravar parte dos investimentos que foram adiados.

Entre os programas que podem estimular as compras estão o Moderfrota, o Pronaf e o Move Brasil, com taxas a partir de 9% ao ano.

Mesmo com uma possível recuperação, a Abimaq ainda trabalha com uma queda próxima de 20% nas vendas do setor ao longo de 2026.

Preços de soja e milho melhoram perspectiva

Outro fator que pode contribuir para uma reação é a valorização recente de algumas commodities agrícolas.

Soja, milho e arroz apresentaram melhora nas cotações, o que pode aumentar a capacidade de investimento de produtores que estavam adiando a compra de equipamentos.

A expectativa também é influenciada pelo cenário da produção norte-americana. Problemas climáticos nos Estados Unidos podem reduzir a oferta de grãos e ajudar a sustentar preços internacionais, criando condições mais favoráveis para a receita dos produtores brasileiros.

Ainda assim, juros elevados, restrição de crédito, margens apertadas e riscos climáticos continuam entre os principais obstáculos para uma retomada mais forte.

Frota envelhecida aumenta demanda por máquinas

A retração nas vendas também significa que muitos produtores estão mantendo tratores e colheitadeiras em operação por mais tempo.

Depois de vários anos de menor comercialização, parte da frota brasileira está envelhecida. Com isso, aumenta a necessidade de substituição de equipamentos, criando uma demanda represada que pode aparecer caso as condições financeiras melhorem.

Máquinas mais antigas podem representar custos maiores de manutenção, menor eficiência operacional e maior risco de problemas durante períodos críticos do calendário agrícola.

Para o produtor, portanto, a decisão de adiar uma compra pode aliviar o caixa no curto prazo, mas também pode aumentar os custos de operação ao longo do tempo.

Tratores e colheitadeiras também registram queda

Em julho, foram comercializados 6.981 tratores, número 5,69% inferior às 7.402 unidades vendidas em junho.

Nas vendas destinadas diretamente aos usuários finais, foram 2.790 tratores, queda de 23,3% em relação a julho de 2025.

O mercado de colheitadeiras apresentou retração ainda maior. Foram comercializadas 166 unidades em julho, queda de 28,76% frente às 233 máquinas negociadas em junho.

Entre os usuários finais, as vendas de colheitadeiras recuaram 37,6% na comparação anual.

Exportações apresentam comportamento diferente

Enquanto o mercado interno permanece pressionado, as exportações de máquinas agrícolas mostram um desempenho mais positivo.

As vendas externas do setor somaram US$ 1,017 bilhão entre janeiro e julho, crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Somente em julho, as exportações alcançaram US$ 141,2 milhões, alta de 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O resultado mostra que, apesar da fraqueza da demanda brasileira, o mercado internacional tem ajudado a amenizar parte dos efeitos da retração interna.

Produtor precisa equilibrar investimento e caixa

A possível recuperação nas vendas dependerá principalmente da capacidade financeira do produtor para assumir novos investimentos.

Com margens ainda pressionadas e custos elevados, muitos agricultores estão priorizando o custeio da produção e o pagamento de compromissos antes de renovar máquinas.

Por outro lado, a melhora das cotações agrícolas, a chegada de novas linhas de crédito e o envelhecimento da frota podem aumentar a procura por equipamentos no segundo semestre.

Para o produtor, o momento exige avaliar não apenas o preço da máquina, mas também o custo de manutenção do equipamento atual, o ganho de produtividade esperado e a capacidade de pagamento do financiamento.

A combinação desses fatores será decisiva para definir se a indústria conseguirá recuperar parte das perdas acumuladas até julho e encerrar 2026 com uma retração menor do que a registrada até agora.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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