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16 de outubro de 2026 - 10:54h

A Folha Agrícola

Boi gordo chega a R$ 395 por arroba em negócios pontuais e pressiona frigoríficos

O mercado do boi gordo segue em alta no Brasil, impulsionado pela oferta restrita de animais prontos para abate e pela necessidade dos frigoríficos de recompor suas escalas. Em São Paulo, negócios pontuais chegaram a R$ 395 por arroba na quinta-feira (15), segundo levantamento da Safras & Mercado.

O valor, porém, não representa a cotação média do mercado paulista. As negociações variam conforme a qualidade dos animais, as condições comerciais e a necessidade de compra de cada indústria.

A valorização ocorre em um cenário no qual os frigoríficos encontram dificuldades para adquirir boiadas em volume suficiente para ampliar suas programações de abate.

Escalas curtas mantêm pressão sobre os preços

As escalas de abate permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões pesquisadas pela Safras & Mercado. Esse cenário mantém os compradores ativos, principalmente as indústrias de pequeno e médio porte, que enfrentam maior dificuldade para garantir o abastecimento.

Embora grandes frigoríficos apresentem situações relativamente mais confortáveis, algumas unidades também elevaram suas propostas de compra para assegurar o fornecimento de matéria-prima.

A disponibilidade limitada de animais terminados fortalece o poder de negociação dos pecuaristas, especialmente daqueles que possuem lotes prontos para comercialização.

Preços variam conforme a negociação

Em São Paulo, os levantamentos das principais consultorias mostram diferenças entre as referências do mercado.

A Scot Consultoria indicou o boi gordo sem padrão de exportação a R$ 380 por arroba e o boi China a R$ 385, em valores brutos e com pagamento a prazo.

Já a Agrifatto identificou negócios pontuais a R$ 390 por arroba, enquanto a Safras & Mercado registrou operações de até R$ 395. A média paulista da última consultoria ficou em R$ 383,33 por arroba.

A diferença entre os valores reforça a importância de avaliar as condições de cada proposta antes de utilizá-la como referência para a venda.

Valorização alcança outras regiões

O movimento de alta também apareceu em outras importantes praças pecuárias. Segundo a Safras & Mercado, as médias por arroba registradas na quinta-feira (15) foram:

  • São Paulo: R$ 383,33;
  • Goiás: R$ 367,86;
  • Minas Gerais: R$ 372,65;
  • Mato Grosso do Sul: R$ 372,27;
  • Mato Grosso: R$ 351,35.

Os valores são médias regionais do levantamento e podem diferir das ofertas recebidas individualmente pelos produtores.

Em São Paulo, a valorização também alcançou as fêmeas terminadas. A Scot Consultoria apontou referências de R$ 350 por arroba para a vaca gorda e R$ 368 para a novilha.

Carne no atacado limita novos reajustes

Apesar da valorização do boi gordo, o mercado atacadista de carne bovina apresenta resistência a novos aumentos. A expectativa de desaceleração do consumo na segunda metade do mês pode dificultar o repasse integral dos custos aos compradores.

A concorrência com proteínas como frango e carne suína também limita o espaço para reajustes mais intensos.

Esse cenário cria um desafio para os frigoríficos: pagar mais pelos animais para manter as escalas de abate, ao mesmo tempo em que enfrentam restrições para elevar os preços da carne no atacado.

O que o cenário representa para o pecuarista

A oferta restrita de bovinos terminados mantém o mercado sustentado e abre espaço para negociações mais firmes em regiões onde os frigoríficos precisam recompor suas escalas.

No entanto, o registro de negócios a R$ 395 por arroba não significa que esse valor esteja disponível para todos os produtores. O preço efetivo depende da região, do padrão dos animais, do prazo de pagamento e das demais condições comerciais.

Para o pecuarista, acompanhar as propostas de diferentes compradores e calcular o custo de manter os animais no confinamento ou na pastagem é fundamental para decidir o melhor momento de comercialização.

A continuidade da alta dependerá da disponibilidade de boiadas, da necessidade de compra dos frigoríficos e da capacidade do mercado consumidor de absorver eventuais aumentos no preço da carne.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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