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16 de outubro de 2026 - 15:09h

A Folha Agrícola

Nelore está cada vez mais eficiente. Muito mais

Por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil

Os números comprovam que o boi brasileiro está ficando mais eficiente. Isso significa que ele está chegando à idade de abate mais cedo e a carne é de qualidade superior.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos no ano passado, alta de 8,2% em relação ao ano anterior. Foi o maior resultado da série histórica. Desse total, 8,4 milhões animais tinham até dois anos. Ou seja, um em cada quatro bovinos abatidos eram jovens e, portanto, com carne mais macia e saborosa.

A precocidade é um indicador muito importante. Um exemplo pode ser observado no Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) que acompanha e avalia os animais no momento do abate. No programa, mais de 70% dos bovinos avaliados chegam ao frigorífico com até dois anos. Além dos ganhos em qualidade, os animais que chegam mais cedo ao abate permanecem menos tempo no sistema produtivo, ocupam menos pasto e possibilitam ao pecuarista girar o capital mais rápido.

Eficiência é isso: produzir mais carne com os recursos disponíveis, em menos tempo e com regularidade. É também a soma de genética, reprodução, sanidade, nutrição, manejo, qualidade de carcaça e uso da terra. É também gestão.

Em outras palavras, o ganho de peso de um animal precisa ser analisado juntamente com o que ele consumiu, o tempo em que permaneceu na propriedade e o resultado que entregou no frigorífico.

Nesse processo, estamos falando em mais quilos de carne produzidos por hectare, mais bezerros desmamados por matriz, menos dias até o abate, menor consumo de alimento por quilo produzido e maior qualidade de carcaça.

As estatísticas mostram que esse avanço é constante. O Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), aponta crescimento de 183% na produtividade da pecuária nos últimos 30 anos, enquanto a área de pastagens recuou 18% – para cerca de 160 milhões de hectares. Ou seja: produzir mais em menos área mostra que genética, tecnologia em nutrição e sanidade e gestão estão transformando a atividade.

Mas os números não contam toda a história. A realidade ainda é bastante diversa entre propriedades, regiões e sistemas de produção. Existem fazendas que acompanham de perto indicadores zootécnicos e econômicos e usam essas informações para orientar cada decisão. E há outras que ainda querem engordar o boi com o olho do dono.

A tecnologia está aí para contribuir. Com ela é possível identificar animais que aproveitam melhor os alimentos que consomem e entregam bom desempenho e, inclusive, acompanhar consumo e ganho de peso com mais precisão. Isso não significa trocar o conhecimento do criador pela planilha. Significa que ter mais informação para tomar decisões ajuda muito.

O contínuo melhoramento genético do Nelore é essencial para a evolução da pecuária brasileira. Um bom exemplo são as exposições da raça. Na pista, os criadores colocam seus animais lado a lado, acompanham as avaliações e trocam experiências sobre o que vem sendo feito. Esse ganho é imensurável. Em outubro, será a vez da Expoinel Nacional, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), o mais importante evento da raça. Nossa expectativa é muito elevada. Não só a quantidade de animais participantes deve ser maior, como – e especialmente – a qualidade também.

Importante dizer que um animal premiado em exposição não necessariamente será o de melhor desempenho em todos os sistemas de produção, mas certamente é uma referência em termos de genética e indicadores econômicos, como fertilidade e precocidade. E isso ajuda a elevar a eficiência.

Nesse contexto, a responsabilidade do Nelore é imensa. Primeiro porque a raça representa mais de 80% do rebanho nacional e também porque está espalhada por todo o país e responde por mais de 90% das mais de 12 milhões de toneladas de carne produzidas por ano.

Nosso desafio como associação é ampliar a capacidade de comunicar essa eficiência para quem ainda enxerga a pecuária com os olhos no passado. Para isso, estamos avançando em várias frentes. Vem aí, por exemplo, a TV Nelore, com muito conteúdo de qualidade sobre a raça e a pecuária. E desde maio está no ar o Nelore Podcast, com entrevistas semanais.

Eficiência é uma soma de fatores. O Nelore e a pecuária brasileira vão muito bem dentro da porteira. Como entidade, evoluímos para mostrar cada vez mais e melhor essa evolução, que o consumidor vê na qualidade da carne que está no prato.