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29 de outubro de 2026 - 6:33h

A Folha Agrícola

Vendas de máquinas agrícolas caem 21,6% em 2026

O faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos agrícolas somou R$ 41,47 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, uma queda de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Somente em setembro, a receita líquida do setor foi de R$ 5,17 bilhões, recuo de 15,7% na comparação com o mesmo mês de 2025. Apesar disso, houve recuperação de 8,2% em relação a agosto.

Endividamento e custos de financiamento pressionam o setor

A redução nas vendas reflete as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais para investir na renovação de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. O endividamento no campo, os juros elevados e a rentabilidade limitada de culturas como soja, milho e cana-de-açúcar estão entre os fatores que restringem a demanda.

Segundo a Abimaq, a expectativa é de que o mercado encontre maior estabilidade nos próximos meses. Para 2026, a projeção da entidade é de queda de aproximadamente 20% nas vendas do setor.

Para 2027, a avaliação é de que o mercado poderá apresentar estabilidade ou uma leve melhora, embora o endividamento rural continue sendo um obstáculo à recuperação mais expressiva.

Exportações avançam enquanto mercado interno recua

Enquanto as vendas domésticas enfrentam dificuldades, as exportações de máquinas e equipamentos agrícolas apresentam desempenho positivo.

Entre janeiro e setembro, as vendas externas somaram US$ 1,312 bilhão, crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025. Em setembro, as exportações alcançaram US$ 161,69 milhões, alta de 8,4% na comparação anual.

As importações, por sua vez, totalizaram US$ 902,6 milhões nos nove primeiros meses do ano, uma redução de 4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Mercado exige cautela nos investimentos

A queda nas vendas de máquinas agrícolas evidencia um cenário de maior cautela no campo. Com margens pressionadas e crédito mais caro, muitos produtores precisam avaliar com atenção os investimentos em equipamentos novos.

O desempenho do setor também influencia fabricantes, concessionárias e empresas ligadas à cadeia de mecanização agrícola. Uma recuperação mais consistente dependerá da melhora da rentabilidade das lavouras, das condições de financiamento e da capacidade de investimento dos produtores.