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15 de abril de 2026 - 15:17h

A Folha Agrícola

O que acontece abaixo dos 20 cm do solo pode limitar a produtividade no Cerrado

Pesquisa conduzida pelo Programa Conectasolo avalia o perfil do solo em até um metro de profundidade e aponta limitações que podem afetar o crescimento das raízes e a estabilidade das lavouras

Em muitas áreas de soja e milho, a produtividade parece ter encontrado um limite difícil de superar. Mesmo com correção do solo na superfície e adoção de tecnologias modernas, parte das lavouras não consegue avançar em rendimento. Pesquisas conduzidas em áreas do Cerrado indicam que parte do problema pode estar abaixo dos 20 centímetros de profundidade, onde limitações químicas e físicas do solo acabam restringindo o crescimento das raízes.

Segundo o especialista em fertilidade do solo e nutrição de plantas Maurício Komori, muitos talhões apresentam boas condições na camada superficial, mas ainda enfrentam obstáculos importantes no subsolo.

“O solo pode estar bem corrigido na superfície, mas apresentar limitações severas em profundidade, como excesso de alumínio, baixos teores de cálcio e enxofre e restrição física ao crescimento das raízes”, explica Komori, que também é gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções.

Essas limitações comprometem o sistema radicular, reduzem a capacidade de absorção de água e nutrientes e aumentam a vulnerabilidade das lavouras a períodos de estresse hídrico — situação comum em regiões do Cerrado. Na prática, isso significa plantas com menor capacidade de buscar água em períodos de seca e maior irregularidade no desenvolvimento das lavouras.

Foi a partir dessa constatação que surgiu o Programa Conectasolo, iniciativa de pesquisa aplicada do Grupo Agronelli, que avalia o solo como um sistema integrado — químico, físico e biológico — em diferentes camadas, chegando a até um metro de profundidade.

Os campos experimentais estão distribuídos por regiões representativas do Cerrado, como Triângulo Mineiro, interior de São Paulo e Oeste da Bahia, em áreas onde a produtividade vinha se mantendo estagnada mesmo com o manejo convencional.

“O primeiro passo é entender exatamente onde está o gargalo. Só depois disso faz sentido falar em dose, época e tipo de insumo”, afirma o especialista.

Gesso agrícola como ferramenta de construção de perfil

Um dos pilares do programa é o uso estratégico do gesso agrícola, insumo utilizado para levar cálcio e enxofre a camadas mais profundas do solo. Essa movimentação ajuda a reduzir o alumínio tóxico e favorece o crescimento das raízes.

“O gesso não substitui a calagem, mas complementa. Ele é fundamental para construir perfil, permitindo que a raiz explore mais solo e torne a lavoura mais resiliente”, explica o pesquisador.

Mesmo nos primeiros ciclos de avaliação, os pesquisadores já observam sinais de resposta do solo, como aumento dos teores de cálcio e enxofre em profundidade, redução do alumínio e maior uniformidade das lavouras.

“Quando a raiz aprofunda, a planta passa a usar melhor a água e os nutrientes. Isso aparece principalmente em anos de veranico, com lavouras mais estáveis e menos desuniformidade”, destaca Komori.

Os campos serão acompanhados por até três safras, justamente para avaliar tanto os efeitos imediatos quanto os resultados residuais do manejo.

Para Komori, o principal recado ao produtor é que o solo deve ser tratado como um ativo de longo prazo. “Pesquisa não é custo, é investimento. Construir perfil reduz riscos, aumenta a eficiência do sistema e dá previsibilidade à produção. Solo bem manejado é segurança produtiva e base para sustentar bons resultados ao longo das safras em culturas como soja e milho, por exemplo”, finaliza.

Sobre o Grupo Agronelli   

O Grupo Agronelli é um conglomerado de empresas brasileiras com atuação diversificada e forte compromisso com o desenvolvimento sustentável e a inovação no setor agrícola e agroindustrial. Fundado com a missão de transformar o mundo ao seu redor, por meio de práticas responsáveis e soluções eficientes, o grupo se destaca por seu impacto positivo na produtividade e na sustentabilidade do setor. Com empresas especializadas que oferecem desde tecnologias de manejo ambiental até soluções em insumos agrícolas e consultoria técnica, o Grupo Agronelli consolida-se como um parceiro estratégico para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua. Engloba as empresas: Agronelli Soluções, que desenvolve e fornece condicionadores, corretivos e fertilizantes de solo; Porto Real, fábrica de bebidas; Nobre, voltada à captação, envase e comercialização de água mineral e Agronelli Fazendas, um complexo com nove fazendas destinadas à pecuária de leite e de corte, agricultura e desenvolvimento de soluções sustentáveis no campo. Além disso, o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social atua no desenvolvimento e execução de projetos voltados à educação e ao desenvolvimento socioambiental.