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27 de abril de 2026 - 10:28h

A Folha Agrícola

Preços do leite seguem em recuperação, mas ainda exige cautela

O cenário global do mercado lácteo segue marcado por muitas incertezas, especialmente no campo geopolítico, envolvendo as tensões entre Estados Unidos e Irã. A elevação nos preços do petróleo tem provocado pressões altistas sobre nas cotações de fertilizantes, frete marítimo, embalagens plásticas entre outros produtos e serviços. É um ambiente de risco global elevado devido aos reflexos negativos sobre inflação e crescimento econômico. Além disso, quanto mais tempo se estender o conflito, maiores tendem a ser os riscos para os mercados globais.

No mercado de leite, a produção global nos países exportadores continua em expansão, embora com crescimento mais modesto. Os preços internacionais no GDT seguem abaixo do observado no início de 2025. A variação acumulada de janeiro a abril de 2026 contra o mesmo período de 2025 indica queda de 10,35%.

No Brasil, o mercado de leite iniciou 2026 com ajustes. Como consequência da baixa rentabilidade na atividade leiteira no final de ano passado, os reajustes de preços começaram a ocorrer em toda a cadeia produtiva, sustentados pela entressafra e menores investimentos na atividade. O leite UHT no atacado de São Paulo, que estava em R$3,27/litro no final de janeiro, superou R$5/litro no início de abril. O mesmo movimento tem ocorrido no mercado de queijo muçarela, buscando recomposição de margens. Neste contexto, o preço ao produtor também vem sendo reajustado, saindo de R$2,00/litro em janeiro para R$2,39/litro em março. No mercado de leite Spot a demanda por leite foi grande e houve negociações chegando a R$3,60/litro no início de abril, valor historicamente elevado.

Esse aumento recente de preços e recomposição de margens é importante para o equilíbrio econômico dos produtores e laticínios, já que a rentabilidade do setor foi muito ruim nos últimos oito meses. O momento atual é de recuperação de preços e margens, com muita atenção ao fluxo de caixa e ao planejamento da atividade. A elevação de preços foi muito rápida e há dúvidas sobre sua sustentação diante de um menor crescimento do PIB e do alto endividamento das famílias.

O cenário econômico brasileiro segue complicado, com previsão de crescimento do PIB de apenas 1,8% para 2026. A alta taxa de juros e o elevado endividamento têm restringido os gastos das famílias. Atualmente, existem 81,7 milhões de consumidores inadimplentes no País, conforme levantamento da Serasa. Além disso, a alta taxa de juros tem incentivado a entrada de dólares no Brasil, valorizando a taxa de câmbio e reduzindo a competitividade dos setores exportadores. Isso penaliza o agro exportador, mas também prejudica o setor de leite, ao tornar as importações ainda mais competitivas.

O volume de leite importado em março atingiu 235 milhões de litros equivalentes, o maior volume mensal desde meados de 2024. No início de 2025, a taxa de câmbio estava acima de R$6,0/dólar, atingindo valores abaixo de R$5/dólar em abril de 2026. Com isso, o leite em pó e o queijo muçarela encontram-se bem mais competitivos no mercado externo em relação ao preço no Brasil.

No entanto, um contexto mais positivo para o pecuarista está relacionado ao custo de produção, que apresentou estabilidade nos últimos 12 meses, segundo o ICPLeite/Embrapa. A oferta de milho e farelo de soja tende a seguir relativamente tranquila, auxiliando a pecuária de leite. Por outro lado, a alta do petróleo vem causando aumento no preço do óleo diesel, nas tabelas de frete e nas embalagens, o que merece maior atenção. Além disso, monitorar o desfecho da guerra é fundamental, pois, à medida que se prolonga, haverá pressões sobre fertilizantes e outros insumos fundamentais para o plantio da safra 2026/27, para a produção de silagem e adubação das pastagens. Portanto, o contexto atual de incertezas globais e desafios internos exige cautela.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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