Fundepag participou de evento Sustensoja – Caminhos para a Soja Sustentável, em Santarém (PA), que discutiu práticas para uma produção mais eficiente e responsável
A busca por uma produção de soja mais sustentável na Amazônia ganhou destaque em Santarém (PA), durante encontro que reuniu produtores, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva para discutir soluções capazes de conciliar produtividade, regeneração ambiental e acesso a mercados cada vez mais exigentes. No dia 7 de maio, foi realizado o Sustensoja – Caminhos para a Soja Sustentável, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), a AgriTierra, com apoio da Alauda Consulting e da organização britânica Jacobs Futura Foundation (JFF).
Durante o evento, foram apresentados avanços do Projeto Soja Sustentável na Amazônia, iniciativa das entidades parceiras que busca transformar práticas agrícolas convencionais em sistemas regenerativos nos estados do Acre, Rondônia e Pará, regiões estratégicas tanto pela relevância produtiva quanto pela sensibilidade ambiental. Entre os temas debatidos, ganharam destaque as estratégias para ampliar a eficiência produtiva, fortalecer a conformidade socioambiental e acelerar a adoção de práticas regenerativas. Também foram apresentadas tecnologias como o biochar, voltado ao sequestro de carbono de longo prazo, e a remineralização de solos, que contribui para reduzir a dependência de insumos químicos e aumentar a resiliência hídrica das propriedades.
O pesquisador da Fundepag, Lucas Lima, destacou os avanços do diagnóstico conduzido junto aos produtores da região. Segundo ele, o Projeto Soja Sustentável na Amazônia avaliou propriedades a partir de cinco dimensões: ambiental, governança, econômica, biodiversidade e agronômica.
“O protocolo de agricultura regenerativa permite entender como está a agricultura em áreas do Pará, de Rondônia e do Acre. Conversamos com 69 produtores desses três estados, em uma área de cultivo superior a 61 mil hectares. Na região avaliada, foram identificados mais de 32 mil hectares de cultivo de soja com potencial para adoção de práticas regenerativas e sustentáveis”, afirmou.
De acordo com Lima, o trabalho amplia o conceito tradicional de ESG ao incorporar uma análise mais abrangente da atividade agrícola. “A ideia é entender os sistemas produtivos e sugerir caminhos para que a agricultura possa ser regenerativa, menos impactante ao meio ambiente e economicamente viável para os produtores. Os participantes responderam a um questionário digital e já saíram com um diagnóstico completo da propriedade e recomendações de melhoria nas áreas agronômica, ambiental, social e de governança”, destacou.
O evento também ressaltou o posicionamento estratégico do Brasil diante das novas exigências globais, como o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e o crescimento do mercado de soja Non-GMO. Ao alinhar produção sustentável, certificação e rastreabilidade, o projeto busca ampliar o acesso a mercados internacionais de alto valor agregado e gerar diferenciais competitivos para os produtores.
Para o Imaflora, o momento é de construir soluções conjuntas para o território. “A região tem potencial para avançar em produtividade ao mesmo tempo em que fortalece práticas mais sustentáveis. O Sustensoja foi um espaço de diálogo para conectar quem produz, quem compra e quem atua na governança da cadeia, buscando caminhos viáveis para essa transição”, afirmou Caroline Anelli.
O líder de novos negócios da Fundepag, Denys Biaggi, destacou que a construção de uma agricultura regenerativa na Amazônia depende da integração entre ciência, setor produtivo e mercado. “O evento mostrou que é possível unir produtividade, sustentabilidade e geração de valor para os produtores. É possível criar modelos viáveis de transição, capazes de fortalecer a competitividade da soja brasileira e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação ambiental e o desenvolvimento das regiões produtoras”, concluiu.
Sobre a Fundepag
A Fundepag foi criada em 1978, a partir dos esforços de grupos empresariais, representantes da agropecuária, da indústria, do comércio e das finanças para somar esforços do Estado e da iniciativa privada no desenvolvimento de projetos de pesquisa.
Apoia e executa diversos tipos de projetos, serviços tecnológicos, capacitações e eventos. Além de contar com seu próprio Núcleo de Inovação Tecnológica Fundepag – NIT, expandido para Centro de Inovação Tecnológica – Conexão.f – reconhecido pelo Governo paulista, oferece uma estrutura de apoio administrativo-financeiro, de gestão de pessoas, consultoria jurídica e ferramentas informatizadas, com a qualidade e ética assessoradas pelas ISO 9001:2015 (qualidade), ISO 37301:2017 (compliance) e ISO 37001:2017 (antissuborno).
Mais informações: https://portal.fundepag.br