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7 de setembro de 2026 - 10:41h

A Folha Agrícola

Arroba do boi pode ganhar força em setembro com maior demanda dos EUA

Depois de um agosto marcado por negócios mais acomodados, o mercado do boi gordo inicia setembro com perspectivas mais favoráveis para os preços. A possibilidade de aumento das exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos aparece como um dos principais fatores de sustentação, enquanto a suspensão dos embarques para a União Europeia limita o otimismo.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, agosto começou com preços aquecidos na compra de gado, mas perdeu força ao longo das semanas. A entrada de animais de parceria e o uso de confinamentos próprios pelas grandes indústrias permitiram ampliar as escalas de abate e reduzir a necessidade de compras imediatas.

Mesmo com essa acomodação, a média das cotações nas principais praças pecuárias durante agosto permaneceu acima dos níveis registrados no encerramento de julho.

Para setembro, Iglesias avalia que existem condições mais favoráveis para a valorização da arroba, principalmente diante da possibilidade de crescimento das vendas de cortes do dianteiro bovino brasileiro aos Estados Unidos.

A flexibilização temporária das tarifas, válida pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas, pode estimular os embarques brasileiros. Uma demanda maior dos norte-americanos ganha ainda mais relevância em um momento de menor participação da China nas compras, após o preenchimento antecipado da cota brasileira.

Apesar do cenário mais positivo, o analista não projeta movimentos explosivos nos preços.

Arroba encerra semana com recuperação

No mercado físico, a última semana terminou com uma recuperação moderada, especialmente nas negociações envolvendo frigoríficos de menor porte.

As grandes indústrias continuam em posição mais confortável por trabalharem com animais de parceria e confinamentos próprios. Já algumas unidades menores enfrentam dificuldades para completar suas programações e, por isso, precisam elevar as ofertas de compra.

As referências médias ficaram em R$ 346,75 por arroba em São Paulo, R$ 335,89/@ em Goiás, R$ 335,29/@ em Minas Gerais, R$ 344,20/@ em Mato Grosso do Sul e R$ 329,59/@ em Mato Grosso.

Também chama atenção a diferença entre o mercado físico e o mercado futuro. O contrato com vencimento em setembro vem sendo negociado em patamar superior aos negócios realizados no balcão paulista, indicando uma expectativa de preços mais firmes adiante.

Boi China chega a R$ 348 em São Paulo

O movimento de alta também apareceu nas cotações paulistas.

O Boi China e a novilha tiveram valorização de R$ 3 por arroba na comparação diária, em um cenário de menor disponibilidade de lotes nas referências anteriores e necessidade de compra por parte de algumas indústrias.

Em Barretos e Araçatuba, o Indicador do Boi Gordo avançou de R$ 343,96 para R$ 346,07/@.

Para o Boi China, a referência paulista chegou a R$ 348/@, preço bruto e a prazo.

As escalas de abate atendiam, em média, aproximadamente uma semana. Algumas indústrias, entretanto, já estavam abastecidas até a primeira quinzena de setembro e continuavam tentando negociar abaixo das referências de mercado.

Consumo interno ainda preocupa

Apesar da melhora nas negociações, o mercado doméstico continua sendo um ponto de atenção para a pecuária.

Não há falta generalizada de animais para abate e as vendas de carne bovina seguem abaixo do esperado.

Caso o mercado atacadista não apresente melhora, frigoríficos mais abastecidos poderão reduzir o ritmo de compras e voltar a testar preços menores.

Por isso, a reação registrada no começo de setembro aumenta o poder de negociação dos pecuaristas, mas ainda não é suficiente para confirmar uma tendência prolongada de valorização da arroba.

Suspensão para União Europeia limita reação

Enquanto os Estados Unidos aparecem como um fator positivo para o mercado brasileiro, a União Europeia representa uma fonte de preocupação.

Desde 3 de setembro, os embarques brasileiros de carne bovina para o bloco europeu estão suspensos em razão de novas exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos.

O governo brasileiro informou que apresentou documentos e adotou medidas para atender às exigências europeias, além de aceitar uma auditoria nas cadeias produtivas nacionais.

A preocupação vai além do volume comercializado. A União Europeia é um destino importante para cortes bovinos de maior valor agregado, o que torna a interrupção especialmente relevante para o setor.

Brasil avalia medidas de reciprocidade

Diante das restrições europeias, o governo brasileiro elevou o tom e sinalizou que poderá adotar medidas de reciprocidade caso as negociações não avancem.

A possibilidade envolve o uso dos instrumentos previstos no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio.

O Brasil também argumenta que as restrições podem reduzir os benefícios comerciais negociados entre os dois blocos, já que parte dos produtos afetados está contemplada por quotas e reduções tarifárias.

Indonésia amplia espaço para carne brasileira

Em meio às dificuldades no mercado europeu, o Brasil também vem ampliando o acesso a outros destinos.

A Indonésia habilitou 21 novos estabelecimentos brasileiros para exportação de carne bovina. Com as novas autorizações, o número de plantas com Serviço de Inspeção Federal aptas a atender o mercado indonésio chegou a 73, pertencentes a 26 empresas.

Desde 2025, foram concedidas 52 novas habilitações.

No ano passado, o Brasil exportou 43,2 mil toneladas de carne bovina para a Indonésia, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

A ampliação dos mercados compradores contribui para diversificar os destinos da proteína brasileira em um período de mudanças importantes na relação comercial com alguns dos principais importadores.

China pode voltar ao foco no fim do ano

O mercado também começa a olhar para o último trimestre de 2026.

De acordo com Iglesias, uma melhora mais consistente poderá ocorrer quando os frigoríficos retomarem os negócios voltados à China, já mirando o preenchimento da cota brasileira de exportação para 2027.

Até lá, setembro deve continuar marcado por forças opostas.

De um lado, a possibilidade de aumento das vendas para os Estados Unidos e a dificuldade de algumas indústrias menores para completar suas escalas favorecem os pecuaristas.

Do outro, o consumo doméstico abaixo do esperado, as escalas mais confortáveis das grandes empresas e a suspensão dos embarques para a União Europeia limitam uma reação mais forte dos preços.

Nesse cenário, o comportamento das exportações, das escalas de abate e da disponibilidade de animais será fundamental para determinar o rumo da arroba nas próximas semanas.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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