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8 de setembro de 2026 - 6:33h

A Folha Agrícola

Arroba do boi pode ganhar força em setembro com maior demanda dos EUA

Foto: Fazenda Dona Amélia

O mercado do boi gordo iniciou setembro com sinais de recuperação e perspectivas mais favoráveis para os pecuaristas. A possível ampliação das compras dos Estados Unidos pode ajudar a sustentar os preços da arroba nas próximas semanas, embora fatores como o consumo interno e a suspensão dos embarques para a União Europeia ainda limitem uma alta mais expressiva.

Após um agosto de negócios mais acomodados, o mercado começa a apresentar maior sustentação. Segundo análise de Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a entrada de animais de parceria e o uso de confinamentos próprios permitiram que grandes frigoríficos melhorassem suas escalas de abate durante o mês passado.

Mesmo com essa acomodação, os preços médios do boi gordo nas principais praças pecuárias permaneceram acima dos níveis registrados no encerramento de julho.

Estados Unidos podem aumentar demanda pela carne brasileira

Para setembro, um dos principais fatores de sustentação da arroba está no mercado norte-americano.

A expectativa é de crescimento das vendas de cortes do dianteiro bovino brasileiro para os Estados Unidos, favorecido pela flexibilização temporária das tarifas para um volume de até 300 mil toneladas nos próximos três meses.

O movimento ganha importância diante da menor participação da China nas compras brasileiras neste momento. A possibilidade de aumento da demanda norte-americana pode ajudar a equilibrar o mercado e melhorar o poder de negociação dos pecuaristas.

Apesar do cenário positivo, a expectativa não é de uma disparada nos preços. A avaliação é de uma valorização gradual, condicionada principalmente ao ritmo das exportações e à necessidade de compra dos frigoríficos.

Frigoríficos menores elevam ofertas

No mercado físico, algumas indústrias de menor porte começaram a encontrar mais dificuldade para completar suas escalas de abate.

Com menor disponibilidade de animais em determinadas regiões, esses frigoríficos precisam melhorar as propostas para atrair lotes, contribuindo para a recuperação das cotações.

As grandes indústrias, por outro lado, seguem com maior conforto nas escalas devido ao acesso a animais de parceria e aos confinamentos próprios.

Esse cenário cria diferenças importantes entre os compradores e pode resultar em negociações mais firmes para os pecuaristas que possuem animais terminados disponíveis.

Boi China chega a R$ 348 por arroba em São Paulo

Em São Paulo, a reação dos preços também ganhou força.

O Boi China e a novilha registraram alta de R$ 3 por arroba em uma das referências recentes, em meio à menor disponibilidade de lotes e à necessidade de compra de algumas indústrias.

O Indicador do Boi Gordo da Scot Consultoria em Barretos e Araçatuba avançou de R$ 343,96 para R$ 346,07 por arroba.

Para o Boi China, a referência paulista chegou a R$ 348 por arroba, no preço bruto e a prazo.

As escalas de abate atendiam, em média, cerca de uma semana, embora algumas empresas já apresentassem programação garantida até a primeira quinzena de setembro.

Consumo interno ainda é ponto de atenção

Apesar da melhora observada nas negociações, o mercado doméstico continua sendo um dos principais fatores de cautela.

As vendas de carne bovina seguem abaixo do esperado e não há, neste momento, uma falta generalizada de animais para abate.

Caso o consumo no atacado não reaja, frigoríficos com escalas mais confortáveis podem diminuir o ritmo das compras e voltar a pressionar os preços pagos pelo gado.

Por isso, a melhora observada no início de setembro ainda não representa uma garantia de alta prolongada da arroba.

Suspensão das exportações para a União Europeia limita avanço

Enquanto os Estados Unidos aparecem como uma oportunidade para a carne brasileira, a União Europeia representa um fator negativo para o mercado.

Os embarques de carne bovina brasileira para o bloco foram suspensos no início de setembro devido a novas exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos.

A União Europeia é um mercado relevante para cortes de maior valor agregado. Dessa forma, a interrupção das vendas reduz parte do potencial de valorização que poderia ocorrer com o aumento das exportações para outros destinos.

O governo brasileiro afirma ter apresentado medidas para atender às exigências europeias e também aceitou uma auditoria nas cadeias produtivas nacionais.

Brasil amplia acesso a outros mercados

Em meio às dificuldades com o mercado europeu, o Brasil continua avançando na abertura de novos destinos.

A Indonésia habilitou 21 novos estabelecimentos brasileiros para exportação de carne bovina. Com as novas autorizações, o país asiático passou a contar com 73 plantas brasileiras habilitadas, pertencentes a 26 empresas.

A diversificação dos mercados compradores é considerada importante para reduzir a dependência de poucos destinos e ampliar as possibilidades de comercialização da proteína brasileira.

China pode voltar a movimentar o mercado no fim do ano

Além dos Estados Unidos, a China continua no radar do setor para os próximos meses.

A expectativa é de que os frigoríficos voltem a intensificar os negócios destinados ao mercado chinês mais próximo do fim do ano, especialmente com o objetivo de atender à cota brasileira de exportação para 2027.

Com isso, o último trimestre pode apresentar um ambiente mais favorável para a pecuária, caso a demanda externa avance e a oferta de animais terminados fique mais ajustada.

O que esperar da arroba em setembro?

O cenário para setembro é de maior sustentação dos preços, mas ainda sem indicação de uma disparada.

A possível expansão das exportações para os Estados Unidos, a necessidade de compra de frigoríficos menores e a disponibilidade mais limitada de alguns lotes favorecem os pecuaristas.

Por outro lado, o consumo interno ainda fraco, as escalas confortáveis de grandes frigoríficos e a suspensão das vendas para a União Europeia podem limitar uma valorização mais intensa.

Para o produtor, o comportamento das exportações, das escalas de abate e da oferta de animais será decisivo para definir o rumo da arroba nas próximas semanas.

Leia mais em: https://www.comprerural.com/arroba-do-boi-pode-ganhar-forca-em-setembro-com-eua-veja-como-fica-essa-semana/

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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