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14 de outubro de 2026 - 15:30h

A Folha Agrícola

Safra de soja com margens pressionadas torna proteção da área agrícola ainda mais estratégica

Por Bruno Nolasco, técnico em agropecuária e bacharel em direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), pós-graduado em gestão de negócios pela Fundação Dom Cabral e gerente de negócios agro da Belgo Arames

O plantio da safra 22026/2027 de soja, que está no início, é cercado de grande expectativa, mas os agricultores entram no novo ciclo alertas para uma combinação de fatores que pode pressionar a produtividade. A primeira projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para colheita de 181,64 milhões de toneladas, alta de 0,7% sobre a anterior, com área plantada de 49,3 milhões de hectares (+1,4%). A produtividade média, entretanto, pode recuar 0,8%, para 3.683 quilos por hectare, o que pode pressionar ainda mais as margens, já pequenas. Nesse cenário, decisões relacionadas ao manejo e à prevenção de perdas ganham peso ao longo de todo o período.

A oscilação climática acrescenta outro grau de complexidade. A Conab alerta para o El Niño, fenômeno que altera os padrões de chuva e temperatura nas diferentes regiões produtoras. No Cerrado, por exemplo, esperam-se menos chuvas e altas temperaturas, o que pode favorecer o aumento da pressão de pragas e doenças. Atrasos no plantio ou períodos de estresse térmico e hídrico devem ampliar os desafios de estabelecimento e desenvolvimento da cultura, e pode comprometer ainda a janela de plantio da safrinha de milho, tornando o acompanhamento das condições da lavoura ainda mais importante desde as primeiras fases.

Além dos desafios fitossanitários e climáticos, a proteção da área precisa considerar fatores de fora da própria lavoura. A presença de javalis e javaporcos é um exemplo. Espécies exóticas invasoras, eles apresentam elevada capacidade de adaptação e reprodução, podendo percorrer diferentes ambientes e provocar impactos devastadores sobre áreas produtivas.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) neste ano de 2026 mostram aumento da presença dos “suídeos asselvajados” – animais da espécie Sus scrofa, que engloba javalis, porcos domésticos feralizados e seus cruzamentos, como o javaporco – no território brasileiro. E isso ocorre em diferentes regiões do país, com avanço da ocorrência no Centro-Oeste e no Norte. Essa distribuição amplia a necessidade de atenção sobre os impactos que esses animais podem causar nas propriedades rurais.

Os javaporcos causam danos à vegetação, revolvem o solo e atingem áreas de cultivo em busca de alimento. Sua movimentação nas áreas rurais, ambientes naturais e propriedades produtivas reforça a necessidade de estabelecer barreiras físicas e manter o controle dos acessos. O próprio Ministério da Agricultura e Pecuária relaciona o manejo dos javalis às ações de defesa sanitária animal, enquanto o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) mantém regras específicas para o controle da espécie.

A cerca exerce, assim, uma função que vai além da delimitação de áreas da propriedade. Uma estrutura bem dimensionada protege a unidade produtiva contra a entrada de animais, ajuda a controlar o acesso de pessoas não autorizadas e preserva áreas de cultivo, instalações e pontos estratégicos da fazenda. Em uma propriedade agrícola, controlar quem e o que circula faz parte da gestão do risco e da preservação do investimento.

Para áreas sujeitas à presença de javaporcos, a escolha da estrutura deve considerar resistência e capacidade de contenção. Telas desenvolvidas para esse tipo de aplicação contam com múltiplos fios horizontais, que formam uma barreira contínua e dificultam a passagem dos animais. Modelos com 11 fios horizontais e com galvanização pesada, por exemplo, combinam resistência mecânica e proteção contra a ação do ambiente, características importantes para instalações que permanecem expostas às condições do campo.

Nos trechos onde a cerca precisa de maior resistência à tração, a utilização de arames de alta resistência forma estruturas mais firmes e duráveis. Uma opção com resistência de até 700 kgf e revestimento Bezinal, composto por zinco e alumínio, oferece maior capacidade de suportar esforços sem exigir a mesma quantidade de material de uma estrutura convencional. A escolha do arame, da quantidade de fios, do espaçamento e dos pontos de fixação deve considerar o relevo, o tipo de criação ou cultivo e os riscos existentes em cada propriedade.

Proteger a produtividade, portanto, não significa olhar apenas para o que acontece no cultivo. Clima, manejo, circulação de animais e segurança da área fazem parte de uma mesma equação. Em uma safra na qual cada hectare precisa entregar o máximo de eficiência possível, antecipar riscos e estruturar a propriedade para reduzir perdas pode ser tão importante quanto as decisões tomadas para o sucesso produtivo da lavoura.