A valorização do boi gordo melhorou o poder de compra dos pecuaristas que trabalham com confinamento no Sudeste brasileiro. Em setembro de 2026, uma arroba passou a pagar 30,77 dias de alimentação por animal, superando pela primeira vez a marca de 30 dias na série histórica regional.
Os dados são do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), divulgado pela Ponta Agro em outubro. O resultado foi favorecido pela alta do preço do boi gordo e pela estabilidade dos custos com alimentação.
No período, a arroba utilizada no levantamento chegou a R$ 356,00, alta de 4,4% em relação a agosto. Já o custo alimentar diário ficou em R$ 11,57 por cabeça, com variação de apenas 0,26%.
Centro-Oeste enfrenta aumento dos custos
A situação foi diferente no Centro-Oeste, onde o avanço das despesas com alimentação reduziu a vantagem econômica da atividade. O custo alimentar diário subiu 6,64% em setembro, alcançando R$ 12,68 por animal.
Embora a arroba do boi gordo também tenha valorizado, chegando a R$ 333,50, a relação de troca recuou de 27,46 para 26,30 dias de alimentação por arroba.
Outro fator que pressionou os resultados foi o aumento do período de confinamento. O ciclo médio dos animais abatidos passou de 107 para 118 dias, elevando as despesas durante a terminação.
Diferença de rentabilidade supera R$ 300 por cabeça
O levantamento apontou resultados distintos entre as duas regiões analisadas. No Sudeste, o resultado estimado das arrobas produzidas durante o confinamento chegou a R$ 1.210,21 por cabeça, avanço de 3,98% no mês.
No Centro-Oeste, o indicador ficou em R$ 906,75 por cabeça, queda de 7,77% em relação a agosto. A diferença entre as regiões alcançou R$ 303,46 por animal.
O custo de produção de uma arroba também aumentou. No Sudeste, chegou a R$ 203,00, enquanto no Centro-Oeste atingiu R$ 224,52.
O que os números significam para o pecuarista
Os dados reforçam que a valorização do boi gordo, isoladamente, não garante maior rentabilidade no confinamento. O resultado depende da combinação entre preço de venda, custo da alimentação, desempenho dos animais e duração do ciclo produtivo.
É importante destacar que os valores divulgados representam uma estimativa relacionada às arrobas produzidas durante o confinamento e não devem ser confundidos com o lucro líquido final da operação. O cálculo não inclui o custo de aquisição do boi magro, entre outras despesas que precisam ser consideradas pelo produtor.
Para o pecuarista, acompanhar o custo da arroba produzida e a eficiência alimentar é fundamental para avaliar o momento de venda e tomar decisões mais seguras na terminação dos animais.