Custos elevados, crédito restrito e incertezas no mercado internacional levam produtores a adiar compras e reavaliar o uso de insumos nas lavouras.
O mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta um cenário de retração em 2026. Após alcançar o recorde de 49,1 milhões de toneladas em entregas no ano passado, o setor pode registrar uma queda expressiva na demanda, influenciada pelo encarecimento dos insumos, pelas dificuldades de financiamento e pelas incertezas geopolíticas.
As estimativas mais recentes indicam que o consumo nacional pode ficar abaixo de 42 milhões de toneladas neste ano, o que representaria uma redução de aproximadamente 16% em relação a 2025. A perspectiva reflete uma piora nas condições de compra dos produtores rurais e um ritmo mais lento de negociação de fertilizantes para as próximas safras.
Entregas e importações perdem força
Os dados do setor já demonstram a desaceleração. Entre janeiro e julho de 2026, as entregas de fertilizantes no Brasil totalizaram 22,98 milhões de toneladas, queda de 8,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
Somente em julho, o volume entregue foi de 3,96 milhões de toneladas, recuo de 22,3% na comparação anual.
A produção nacional de fertilizantes intermediários também apresentou redução, enquanto as importações diminuíram. Esse movimento preocupa o mercado, principalmente porque ocorre durante o período de planejamento e implantação da safra de verão.
Preços elevados pressionam o setor
Entre os fatores que contribuem para a retração estão os custos das matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes, com destaque para o enxofre, importante na produção de insumos fosfatados.
As tensões no Oriente Médio também ampliaram as incertezas sobre a oferta internacional e a logística de abastecimento. Mesmo com recuos recentes em algumas cotações, os preços permanecem elevados e dificultam a recuperação do poder de compra dos agricultores.
No mercado interno, a situação financeira das propriedades rurais agrava o quadro. Juros altos, endividamento e restrições de crédito levam os produtores a priorizar despesas e reavaliar investimentos.
Produtores buscam alternativas para reduzir custos
Diante do aumento dos gastos, parte dos agricultores tem adiado a aquisição de fertilizantes ou considerado ajustes no manejo nutricional das lavouras.
Uma das alternativas é aproveitar os nutrientes acumulados no solo em safras anteriores, especialmente o fósforo, desde que análises de solo e recomendações agronômicas indiquem condições adequadas.
A redução indiscriminada da adubação, entretanto, pode comprometer o desenvolvimento das plantas e a produtividade futura. Por isso, decisões sobre doses e combinações de nutrientes precisam considerar as características de cada área, a expectativa de rendimento e o histórico de manejo.
Perspectivas para as próximas safras
A evolução da demanda nos próximos meses dependerá dos preços internacionais, do câmbio, da disponibilidade de crédito e da capacidade financeira dos produtores de retomar as compras.
A retração também acende um alerta para a cadeia de abastecimento, já que a redução das importações e da produção nacional pode limitar a disponibilidade de determinados produtos caso a procura volte a crescer rapidamente.
Para o produtor rural, o momento exige planejamento, acompanhamento dos custos e avaliação técnica da adubação. A busca por economia precisa caminhar junto com a preservação da fertilidade do solo e da produtividade das lavouras.
Fonte: informações de mercado e dados setoriais divulgados pela imprensa especializada, pela Anda e por consultorias do agronegócio.