O preço do café voltou a recuar no Paraná em outubro, tanto no campo quanto no varejo. A redução está relacionada à maior oferta do produto no mercado nacional e começa a aliviar os custos para a indústria e os consumidores. Para os cafeicultores, porém, a queda representa uma redução na remuneração em comparação com o mês anterior.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostram que a saca de café beneficiado foi comercializada por R$ 1.380,51 na última semana analisada. O valor é 10% inferior à média de R$ 1.533,37 registrada em setembro.
A cotação atual voltou a níveis semelhantes aos observados em junho e julho, período de maior intensidade da colheita. Apesar da retração, o Deral considera que o preço recebido pelos produtores ainda é positivo diante do volume expressivo da produção brasileira.
Café mais barato chega às prateleiras
A queda das cotações também aparece no comércio varejista. Em outubro, o pacote de café de 500 gramas apresentou preço médio de R$ 23,90 no Paraná, segundo levantamento do Deral.
O valor representa uma redução de 19% em relação a outubro de 2025, quando o mesmo produto custava, em média, R$ 29,42.
De acordo com Hugo Wickler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, a diminuição dos preços favorece a formação de estoques pela indústria a custos menores e permite a oferta de produtos mais acessíveis aos consumidores.
O movimento ocorre após um período de preços elevados, que pressionou o orçamento das famílias e aumentou os custos de aquisição da matéria-prima para a indústria de café torrado e moído.
Oferta nacional influencia as cotações
O comportamento dos preços está ligado ao equilíbrio entre oferta e demanda. Com a entrada da produção da safra no mercado, a maior disponibilidade do grão contribui para reduzir a pressão sobre as cotações.
Entretanto, o mercado continua sujeito a mudanças nas condições climáticas, no consumo e na demanda internacional. Esses fatores podem influenciar tanto os preços recebidos pelos produtores quanto os valores praticados no varejo nos próximos meses.
Por isso, mesmo com a queda registrada em outubro, ainda não é possível afirmar que o café continuará ficando mais barato no mesmo ritmo.
Clima entra no radar da próxima safra
As condições climáticas também são importantes para as perspectivas da cafeicultura paranaense. Segundo o Deral, as chuvas regulares associadas ao cenário climático influenciado pelo El Niño têm favorecido o pegamento das primeiras floradas da próxima safra.
A evolução das floradas e o desenvolvimento dos frutos serão determinantes para o potencial produtivo das lavouras nos próximos meses.
Apesar da importância regional da atividade, o Paraná responde por aproximadamente 1% da produção nacional de café. Assim, o comportamento da produção em outros estados também terá influência significativa sobre a oferta brasileira e a formação dos preços.
O que a queda representa para o produtor?
Para o cafeicultor, a redução de 10% no preço médio da saca em relação a setembro reforça a importância de acompanhar os custos de produção e a rentabilidade da atividade.
Embora a cotação ainda seja considerada positiva pelo Deral, a margem efetiva depende de fatores como produtividade, despesas com mão de obra, fertilizantes, defensivos, colheita e beneficiamento.
Para o consumidor, a redução observada no varejo representa um alívio no preço de um produto presente no dia a dia das famílias.
O comportamento futuro do mercado dependerá principalmente da evolução da oferta brasileira, das condições climáticas para a próxima safra e da demanda pelo produto dentro e fora do país.