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29 de julho de 2026 - 10:58h

A Folha Agrícola

Agricultor paranaense triplica a produtividade do milho e estabelece recorde nacional

Eduardo Pletz alcançou 369,92 sacas por hectare no Concurso de Produtividade do Milho do Getap Verão 2026, e atribui a conquista ao rigoroso manejo do solo construído pela família ao longo das últimas décadas, aliado à adoção criteriosa de tecnologias validadas pela pesquisa

Enquanto a produtividade média do milho primeira safra no Brasil é estimada em 119 sacas por hectare na temporada 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o produtor paranaense Eduardo Pletz, de Guarapuava (PR), triplicou essa marca e alcançou 369,92 sc/ha estabelecendo um novo recorde nacional. O resultado foi o grande destaque do Concurso Getap Verão 2026, realizado pelo Grupo Tático de Produtividade do Milho.

Há pouco mais de dez anos, Eduardo Pletz tomou uma decisão que mudaria os rumos da sua carreira. Formado em Medicina Veterinária e atuando havia mais de uma década na área de nutrição animal em uma importante cooperativa de seu estado, ele deixou o emprego para retornar à propriedade da família e assim ajudar o pai a dar continuidade ao trabalho iniciado pelo avô.

A escolha, motivada pelo início do processo de sucessão familiar, transformou-se em um caso de sucesso no campo. “Em 2016 decidi voltar para a nossa propriedade para trabalhar ao lado do meu pai e garantir a continuidade dos negócios da família. Hoje conduzimos juntos toda a operação agrícola e já estamos preparando meu filho, que está cursando Agronomia e também participa das atividades. É um conhecimento que passa de geração para geração, sempre incorporando novas tecnologias”, afirma o agricultor.

Os segredos do campeão

A propriedade da família Pletz possui 110 hectares, onde o sistema produtivo é baseado na diversificação e na rotação de culturas. No verão, cerca de 30% da área é destinada ao milho e 70% à soja. Durante o inverno, são cultivadas cevada e trigo nas áreas de soja, enquanto as áreas destinadas ao milho recebem plantas de cobertura, como ervilha, ervilhaca e aveia, estratégia voltada à melhoria da estrutura física e da fertilidade do solo.

Segundo o produtor, o recorde alcançado não é resultado de uma única decisão, mas da construção de um sistema produtivo aperfeiçoado ao longo de décadas. “Esse trabalho de manejo e estruturação do solo vem desde o meu avô, e nós apenas damos continuidade. Quando existem áreas bem manejadas, aliado ao capricho, à tecnologia e às condições climáticas favoráveis, o resultado aparece. Não existe receita pronta, é uma construção feita ao longo dos anos”, detalha.

Outro diferencial está na adoção de tecnologias respaldadas por pesquisa regional. Pletz explica que todas as decisões técnicas da fazenda são baseadas nas recomendações da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA), responsável por validar materiais genéticos e práticas de manejo adaptadas às condições da região. “Neste ano utilizamos variedades novas, com genética mais avançada e alguns ajustes tecnológicos que contribuíram para elevar ainda mais os resultados. O híbrido P25300PWU, da Pioneer® Sementes, com o qual concorremos, está em seu primeiro ano comercial e já demonstrou um enorme potencial produtivo”, afirma.

Além disso, o ajuste fino do manejo, aliado ao clima favorável, também desempenhou papel importante. “Tivemos noites frias, dias quentes e uma distribuição de chuvas muito boa. Isso favoreceu o desenvolvimento da cultura, mas só produz resultado quando o restante do sistema já está preparado”, detalha Pletz.

Reconhecimento

O desempenho obtido no concurso também se refletiu na fazenda, que registrou a maior produtividade média de sua história. Agora, segundo Pletz, o objetivo é adaptar, sempre que possível, as tecnologias utilizadas na área campeã para o restante da propriedade. “Nem tudo pode ser replicado exatamente da mesma forma em áreas maiores, mas tudo o que for viável nós vamos incorporar. A agricultura exige evolução constante, e assim seguiremos”, adianta o produtor.

Embora o resultado tenha surpreendido por uma lavoura conduzida em sistema de sequeiro superar produtividades obtidas em áreas irrigadas, Pletz acredita que o maior legado da conquista vai além dos números. Para ele, o concurso estimula a busca constante por conhecimento e fortalece o intercâmbio entre produtores. “O Getap incentiva o produtor a evoluir todos os anos. O mais importante é a troca de experiências. Cada região possui suas particularidades, e todos aprendem quando compartilham informações. Precisamos trabalhar juntos para tornar a agricultura cada vez mais eficiente e produtiva”, diz.

O Concurso

Além de reconhecer os produtores com os maiores rendimentos do país, o Concurso de Produtividade do Milho do Getap tem como principal objetivo estimular a adoção de boas práticas de manejo e promover a troca de conhecimento entre agricultores, pesquisadores, consultores e empresas do setor. Na edição Verão 2026, os resultados reforçaram o avanço da tecnologia e da gestão agrícola na cultura do milho, com produtividades recordes e participação crescente de produtores de diferentes regiões do Brasil.

Para Gustavo Capanema, coordenador técnico do Getap, o desempenho obtido pelos participantes demonstra que o acesso à informação, às novas tecnologias e às recomendações técnicas está cada vez mais disseminado no campo. “Temos milho sendo produzido praticamente em todo o Brasil, com tetos produtivos altíssimos. Isso mostra que a tecnologia desenvolvida pelas empresas, técnicos, pesquisadores e demais profissionais envolvidos, está sendo propagada e disseminada”, afirma.

Ainda segundo Capanema, nesse cenário, a conquista da família Pletz representa não apenas um recorde de produtividade, mas também o resultado de um trabalho baseado em planejamento, sucessório, manejo do solo e aplicação consistente de tecnologias validadas pela pesquisa. “Todos esses fatores certamente contribuirão para elevar o potencial produtivo da agricultura brasileira”, finaliza o coordenador técnico do Getap.

Document

Cotações Agrícola

Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

R$ 79,61

Feijão

R$ 143,36

Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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